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As incursões dos vírus Influenza: As três pandemias gripais do século XX

30 Janeiro, 2013 0

Desde o alvorecer da Humanidade que a nossa relação com os microrganismos tem sido ambivalente. Nuns casos eles são indispensáveis á vida, noutros causam-nos a morte.

Os vírus da gripe pertencem ao segundo grupo. Estes vírus propagam-se por via inalatória e têm a capacidade de provocar pandemias – uma pandemia é uma epidemia de uma doença transmissível que afeta uma zona geográfica muito extensa, por exemplo, um ou vários continentes, ou mesmo todo o planeta.

Porque durante a Idade Média se acreditava que a doença surgia por influência dos astros, quando em 1933 o cientista britânico Wilson Smith isolou o vírus, denominou-o vírus influenza, em homenagem àquela antiga crença – do italiano influentia.

Se a primeira descrição de gripe remonta ao tempo de Hipócrates (412 AC), é nos últimos 400 anos que temos informações mais precisas sobre os seus efeitos.

A primeira pandemia reconhecida como provavelmente de gripe aconteceu em 1580. Teve o seu início na Ásia e espalhou-se pela Europa, África e América. Desde então, admite-se que ocorreram duas a três pandemias gripais em cada século.

No século XX aconteceram três pandemias gripais com diferentes significados epidemiológicos. A primeira decorreu em 1917-1918 tendo sido provocada por um vírus influenza H1N1. Foi considerada a pandemia mais devastadora da história da Humanidade e esta invulgar gravidade esteve relacionada, por um lado, com a agressividade do vírus e, por outro, com a fragilidade das populações, então a viverem o holocausto da 1.ª Grande Guerra. Foi uma pandemia global, tendo chegado aos mais recônditos lugares do mundo, como o Ártico ou as ilhas do Pacífico. Foi a chamada Gripe Espanhola ou Pneumónica. No fim das suas três ondas pandémicas tinham morrido 50 a 100 milhões de pessoas e, como sempre acontece no contexto de uma nova pandemia gripal, foram os mais novos os mais afetados. Em Portugal, verificaram-se 65.000-140.000 mortos, entre os quais o pintor Amadeo de Sousa-Cardoso.

A segunda, a Gripe Asiática, aconteceu nos anos de 1957-1958, provocada por um vírus influenza H2N2, que circulou nos 10 anos seguintes e depois desapareceu. Em 10 meses atingiu todo o planeta, infetando 25-30% da população mundial e originando 1,5 a 2 milhões de mortes. Esta gripe chegou a Portugal através dos passageiros do navio Moçambique, proveniente de África, e atingiu o seu pico no mês de Setembro.

Onze anos volvidos (1968-1969), surgiu uma terceira pandemia gripal, a Gripe Hong Kong, provocada por um novo vírus, o H3N2. Cruzou o planeta em duas ondas pandémicas que duraram dezoito meses e, no fim, o número de mortos rondava um milhão, dos quais oito mil no nosso país.

Admite-se que a progressiva benignidade das últimas duas pandemias do século XX (benignidade que se confirmaria na pandemia gripal de 2009, provocada pelo vírus influenza AH1N1) se deveu a uma menor agressividade de ambos os vírus, à melhoria das condições sociosanitárias da maioria da população mundial e à melhoria dos cuidados médicos, quer preventivos (vacina, disponível desde 1946), quer terapêuticos (antibióticos e suporte avançado de vida). Populações melhor nutridas, com boas condições sanitárias, vacinadas e com acesso a bons cuidados de saúde constituem-se como um terreno menos propício à disseminação dos vírus influenza.

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