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Artrite: Gota e pés

9 Agosto, 2014 0

Acordar a meio da noite com uma dor intensa no dedo grande do pé é o primeiro sinal de uma crise de gota, uma das formas mais dolorosas de artrite, causada pela acumulação de ácido úrico. Mudanças no estilo de vida e medicação permitem controlar esta doença, mais comum nos homens.

Dor intensa, inchaço, vermelhidão e sensação de calor nas articulações são os sintomas da gota, que se manifestam de forma aguda, súbita e sem aviso, geralmente durante a noite. O dedo grande do pé é a primeira vítima, apresentando-se tão quente, tão inchado e tão sensível que não suporta sequer o peso do lençol. Geralmente os primeiros sintomas surgem apenas numa única articulação e, quando não tratados, pode estender-se a outras (joelhos, tornozelos, pulsos e cotovelos).

A causa destas crises é o excesso de ácido úrico. Trata-se de um composto orgânico resultante do metabolismo das purinas, substâncias que existem no corpo humano mas que também são fornecidas pela alimentação.

Quando as concentrações sanguíneas de ácido úrico são normais, este é excretado na urina e eliminado. Mas, quando há uma produção excessiva ou quando os rins não conseguem eliminá-lo eficazmente, o ácido úrico, atinge elevadas concentrações no sangue e, como consequência, deposita-se nas articulações causando a inflamação.

Esta é uma forma de artrite mais comum nos homens, embora a vulnerabilidade das mulheres aumente com a menopausa. O género é, assim como a idade, um factor de risco. Mas há outros, muitos deles associados ao estilo de vida: o consumo de álcool e o excesso de peso também condicionam a probabilidade de desenvolver gota.

A genética é outro dos factores de risco, estimando-se que uma percentagem significativa dos doentes tenham antecedentes familiares de gota.

Algumas doenças e medicamentos estão também associados a um risco aumentados de desenvolver gota. De entre eles destacam-se a hipertensão (não controlada), o colesterol elevado, a diabetes e a aterosclerose, e a toma de determinados diuréticos e de certas doses de aspirina, bem como de medicamentos usados para prevenir a rejeição de órgãos após transplante.

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Prevenir crises e complicações

Sem tratamento adequado, os sintomas típicos da gota podem permanecer por um período superior a uma semana, permanecendo ainda algum desconforto, até a articulação ficar, aparentemente, normal. O alívio da dor é o objectivo imediato do tratamento, mas a prevenção de futuras crises e de complicações fazem também parte da estratégia clínica.

A prazo, a gota pode envolver cada vez mais articulações e causar-lhes graves danos. O próprio osso pode ser afectado.

Além disso, as crises podem tornar-se cada vez mais frequentes e, com o tempo, podem desenvolver-se nódulos subcutâneos formados por cristais de ácido úrico, sobretudo nos dedos dos pés e das mãos e nos cotovelos.

Para controlar a doença e garantir que a gota não cause danos severos, a alteração do estilo de vida dos doentes tem um papel decisivo.

Nomeadamente, uma dieta alimentar saudável, evitando o consumo de bebidas alcoólicas, e a ingestão de hidratos de carbono e proteínas animais em excesso. Ainda, a ingestão de líquidos, sobretudo água, é fundamental, no auxílio à excreção do ácido úrico do organismo. Controlar o peso, mantendo-o nos níveis considerados saudáveis, também é importante, o mesmo acontecendo com o controlo dos valores de pressão arterial, colesterol e glicemia.

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