Acabar com as varizes para que não acabem com as pernas
Meias especiais para pernas especiais
As meias elásticas, ou meias de descanso, são o acessório fundamental para a prevenção das varizes em situações de forte tendência hereditária ou gravidez. Contudo, são ainda mais indispensáveis quando os primeiros derrames já apareceram e a doença já foi diagnosticada. Travar a evolução e o desenvolvimento das varizes é o objectivo principal, desta forma é preciso facilitar a circulação sanguínea.
«Para a profilaxia não há necessidade de utilização de umas meias muito fortes, basta uns collants de descanso fabricados de acordo com as especificações para o efeito. Não devem ser como as meias vulgares que apertam a perna por inteiro sem qualquer efeito terapêutico. Durante a gravidez é fundamental o uso destas meias. Para quem não tiver a doença declarada, no máximo ao terceiro mês de gestação deve começar a utilizá-las. Qualquer grávida, com ou sem sintomatologia, com ou sem história familiar deverá usar meias elásticas como forma de prevenção», sublinha Serra Brandão.
As varizes são uma doença crónica, sem cura, mas que pode ser controlada. Nem sempre se consegue evitar a doença venosa, porém é possível minimizar não só no sentido de atrasar o seu aparecimento e progressão, mas também de forma a evitar a sintomatologia. O que significa que a pessoa tem a doença, mas não sofre com ela.
«Uma vez que não há milagres, essa doente terá que ser submetida a determinado tipo de tratamentos», acrescenta o cirurgião vascular.
Em forma de espiral
As meias elásticas são, de acordo com Serra Brandão, «feitas com um elástico especial em forma de espiral, com maior contenção na barriga da perna do que na coxa. De modo a que, quando a pessoa marcha, essa espiral elástica vai ajudar a comprimir os músculos da perna.»
Primeiro a barriga da perna, depois a coxa, vai ajudando a que o sangue progrida dos membros inferiores para o coração.
«Se forem usados uns collants normais, a perna fica toda apertada por igual, o sangue não progride e, em vez de fluir, fica ali comprimido. É natural que evite o inchaço, mas ao fim do dia a pessoa sente o desconforto de os usar porque a perna começa a ter necessidade de expandir o inchaço, mas a meia não deixa. Nas meias fabricadas especificamente para esse efeito – e hoje em dia há muitas especificações internacionais e da União Europeia –, há uma graduação própria para cada caso. Há um tamanho próprio para cada doente, de acordo com a medida do tornozelo, da barriga da perna, da coxa, e da altura da perna», explica o cirurgião vascular.
Estas meias devem ser receitadas pelo médico que saberá qual a medida e a graduação da meia, de acordo com o estádio das varizes. As meias devem ser usadas no dia-a-dia, especialmente nas tarefas em que se sente mais cansaço.
Profissões de risco
Para além de todos os factores de risco já referidos, determinadas actividades profissionais são autênticos atentados às penas. Mais expostas a essas actividades, as mulheres são novamente quem mais sofre. Cabeleireiras, enfermeiras, funcionárias de balcão, cozinheiras, hospedeiras de bordo são algumas das profissões em que as longas horas do dia são passadas de pé.
«Grande parte do trabalho feminino é feito nessa posição. A mulher continua a manter a dupla actividade, isto é, sai de casa para o trabalho, mas quando regressa tem um conjunto de tarefas como cozinhar, passar a ferro ou cuidar das crianças que implicam que se mantenha de pé», lembra Serra Brandão.
Da mesma forma, as actividades que exigem que as profissionais permaneçam sentadas muito tempo podem também originar o aparecimento dos primeiros derrames que, se não forem tratados, irão, com o avançar da idade, transformar-se em varizes. Secretárias, operadoras de caixa, motoristas (mais no caso dos homens) são profissões que, de acordo com determinadas condições podem originar a doença venosa.
«Estar sentado muito tempo na mesma posição vai impedir uma activação da circulação. Isto é, não há uma activação dos músculos da barriga da perna, que são fundamentais para fazer fluir o sangue para o coração. Desta forma o sangue concentra-se na planta do pé que funciona como uma esponja que o absorve», esclarece o director do IRV.
A marcha e a movimentação fazem com que o sangue seja empurrado para o coração através da contracção dos músculos.
«Por outro lado, estar sentado implica, muitas vezes, que as pernas fiquem comprimidas numa cadeira de rebordo duro. O facto de estar sentado leva também a uma tendência para cruzar as pernas, sem se dar por isso, o que vai comprometer o retorno do sangue para o coração», refere Serra Brandão.
Tratar os males das pernas
O tratamento da doença venosa pode consistir apenas no uso de meias elásticas e de medicamentos flebotropos, isto é, que facilitam o fluxo sanguíneo, mas pode também exigir intervenções cirúrgicas. Tudo dependerá do estado de evolução da doença em cada doente. Caberá ao especialista avaliar e decidir qual a terapêutica mais adequada.
«Com a terapêutica sintomática, tal como na profilaxia, é feito um tratamento medicamentoso e contenção com a meia elástica. Para além disso, nas situações em que existem já pequenos “derrames”, denominados telangiectasias, existem dois tipos de tratamento», esclarece Serra Brandão.

