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A nova Rede de Cuidados Continuados vem dar respostas de saúde e de apoio social a idosos e dependentes

6 Junho, 2007 0

A Rede quando arranca? E dentro de quanto tempo ficará pronta?

Essa pergunta é-me colocada constantemente, mas não existe um dia mágico. Já foi aprovado o diploma que enquadra o que existe e o que vai surgir. Com base nos recursos existentes e a partir daquilo que o sector social já tem, vamos criando esta Rede. Mas temos consciência que é uma grande reforma, é estruturante e leva o seu tempo. Prevemos que esteja concluída dentro de dez anos.

Como sintetizaria a principal vantagem da Rede?

O benefício último é o de ir ao encontro das necessidades das populações. Estamos a ajustar serviços que foram concebidos há 30 anos a uma nova realidade que existe. As pessoas estão doentes, precisam de apoio e muitas delas, vivem sós. É necessário apoiá-las e auxiliar também os seus familiares. As famílias que têm ao seu cuidado, um idoso ou um doente dependente, sobretudo nas grandes cidades, precisam de se sentir apoiadas. Nas grandes cidades, não há disponibilidade, as pessoas têm de trabalhar e sentem-se abandonadas.

Já são conhecidos os valores que irão ser gastos na implementação desta Rede?

Prevemos que iremos investir cerca de 300 milhões de euros, nos próximos dez anos.

Que mensagem gostaria de deixar aos leitores do Jornal do Centro de Saúde?

Sabemos que as pessoas que precisam dos serviços de saúde estão muito impacientes, porque precisam de cuidados de saúde hoje, e não daqui a dois ou três anos. No entanto, na saúde, as mudanças que temos de fazer não acontecem por magia. Algumas delas, exigem tempo. Gostaria muito que as pessoas confiassem na equipa da saúde, porque é uma equipa que conhece o sector, sabe o que há para fazer, e está a fazê-lo com pessoas muito competentes. Temos os melhores especialistas a trabalhar em cada área. Embora compreenda a impaciência das pessoas, gostaria que elas percebessem que o que aconteceu nos últimos 30 anos no nosso País, depois do 25 de Abril, foi um salto imenso e que alguns países demoraram 100 anos a atingir esses níveis. Acreditem e confiem que as coisas vão mudar!

Razões

Porque foi criada a Rede?

1. Impacto do envelhecimento da população
A percentagem de idosos na população portuguesa duplicará entre 2004 e 2050. Em 2001, 16 % da população tinha 65 anos ou mais. Em 2025 serão 22%. E em 2050 serão 32 %

2. Mudança do perfil de patologias;

3. Situações de dependência e de fragilidade com alta necessidade de apoio social e familiar;

4. Mudança do perfil das famílias.
Uma em cada quatro pessoas com 75, ou mais anos, vive só
Uma em cada cinco pessoas com 65, ou mais anos, vive só

No quadro actual do SNS, existem apenas duas grandes vertentes – cuidados agudos nos hospitais e cuidados primários nos centros de saúde. Com a população a envelhecer, com as doenças a atingirem cada vez mais as pessoas, independentemente da idade, é necessário considerar um novo perfil de pacientes.

Para além de assegurar o acolhimento dos utentes a médio e longo prazo, a Rede prevê também a deslocação de equipas ao domicílio dos doentes para prestar os apoios necessários.

Alguns dos serviços prestados vão ser gratuitos, enquanto outros vão sair dos bolsos dos utentes, tendo sempre em conta os seus rendimentos.

Objectivos da REDE

1. Prestação de cuidados continuados de saúde e ou de apoio social;

2. Manutenção das pessoas (com perda de funcionalidade ou em risco de a perder) no domicílio, sempre que o apoio domiciliário possa garantir os cuidados terapêuticos e o apoio social necessários à provisão e manutenção de conforto e qualidade de vida;

3. Apoio, acompanhamento e internamento tecnicamente adequados à situação do doente;

4. Melhoria contínua da qualidade na prestação de cuidados continuados de saúde e de apoio social;

5. Apoio aos familiares ou prestadores informais, na respectiva qualificação e na prestação dos cuidados;

6. Articulação e coordenação em rede dos cuidados em diferentes serviços, sectores e níveis de diferenciação;

7. Prevenção de lacunas em serviços e equipamentos, pela progressiva cobertura a nível nacional, das necessidades das pessoas em situação de dependência, em matéria de cuidados continuados integrados e de cuidados paliativos.

De onde vem o dinheiro?

Os custos da Rede serão suportados por:

» Serviço Nacional de Saúde;

» Segurança Social;

» Utentes/Famílias;

» Instituições Particulares de Solidariedade Social.

Parte das verbas do Estado provêm do Euromilhões e dos outros jogos sociais.

“As famílias que têm ao seu cuidado, um idoso ou um doente dependente, sobretudo nas grandes cidades, precisam de se sentir apoiadas”.

“Recentemente recebi um pedido de uma pessoa, que não conheço, cujo caso concreto era o seguinte: um rapaz esquizofrénico, de dezanove anos, vive em casa com a mãe, idosa, que tem um tumor maligno. Esta senhora precisa de ser operada, mas, para o ser, coloca-se a questão: quem é que fica a tratar do rapaz tetraplégico? A Rede procura dar soluções também para este tipo de casos”.

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