A nova Rede de Cuidados Continuados vem dar respostas de saúde e de apoio social a idosos e dependentes
A Rede criará serviços comunitários de proximidade que articulam:
» Hospitais;
» Centros de Saúde;
» Serviços distritais e locais de Segurança Social;
» Rede Solidária;
» Privados;
» Autarquias Locais,
… numa acção conjunta no âmbito dos planos de acção do Ministério da Saúde e do Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social
Na prática, como vai funcionar? Pode dar-nos exemplos de benefícios concretos para as pessoas?
As pessoas podem ser referenciadas ou encaminhadas para esse tipo de serviços, em sentido lato (unidade de internamento, ou apoio domiciliário), a partir do hospital onde estão internadas, ou a partir do seu médico de família. No hospital, passará a existir a chamada “equipa de gestão de altas” que será composta por um enfermeiro, um médico e um assistente social. Pretende-se que, 24 ou 48 horas antes de se prever que o doente irá ter alta do hospital, se proceda ao conhecimento do seu caso clínico. Tem de se saber se o doente pode regressar a casa, por questões de saúde e também por questões de carácter social.
Uma pessoa pode não necessitar de mais nada em termos médicos e de saúde, mas imagine-se que não tem ninguém à espera dele… E se é um idoso com 85 anos? Neste caso, a equipa de gestão de altas onde está a tal técnica do serviço social tem de contactar com a rede de apoio social da região para encontrar, por exemplo, uma equipa de apoio domiciliário que vá a casa da pessoa.
“A ideia é criar uma rede que vise prestar serviços de qualidade e ajustados às pessoas idosas e a outras pessoas que estão numa situação de dependência”.
E se o doente necessitar de um período de convalescença? Pode dar-nos exemplos práticos?
A rede de cuidados continuados vem na sequência de um episódio agudo. Tome, como exemplo, um jovem que sofreu um acidente de viação, e que está em situação de alta, mas a família não tem condições para o acolher. A ideia é responder a estas situações concretas. Ou é o médico de família que faz o diagnóstico da situação clínica, social e de integração familiar daquela pessoa, ou é a equipa de gestão de altas. Se a equipa de gestão de altas indica que determinado doente ainda precisa de 30 dias de convalescença, este tem de ser inserido nas unidades de convalescença. Estas unidades são para internamentos até 30 dias. Outro exemplo: uma pessoa partiu uma perna e ainda precisa de mais algum exercício. É então inserida nas unidades de convalescença. Os hospitais de agudos já existentes vão organizar uma unidade de convalescença composta por 20, 30 camas.
Há hospitais que não têm condições para terem unidades de convalescença dentro do seu espaço. Então, os respectivos Conselhos de Administração têm de encontrar, em conjunto com a Administração Regional de Saúde, uma resposta fora do hospital (sector privado e social). As camas de convalescença são pagas a 100% pela saúde.
Teremos ainda as unidades de internamento permanente que se destinam a pessoas que se sabe a priori que dificilmente sairão dessa unidade, como por exemplo, um tetraplégico, um doente crónico, um doente de Alzheimer, entre outros. No meio, temos dois outros tipos de unidades que são as de estadia média e de reabilitação até 90 dias. Aqui, as respostas são mistas, pois têm uma componente de saúde e outra ao nível social.
Prestação de serviços na Rede
1. Unidades de Internamento, incluem unidades de convalescença, unidades de média duração e reabilitação, unidades de longa duração e manutenção e as unidades de cuidados paliativos (CP);
2. Unidades de Ambulatório, nos hospitais de dia / unidades de promoção de autonomia e centros de dia;
3. Equipas Hospitalares que integram os grupos que farão a gestão de altas e as equipas intra-hospitalares de suporte em cuidados paliativos;
4. Equipas Domiciliárias constituem-se em duas modalidades: os grupos que prestam cuidados continuados integrados de saúde e apoio social e as equipas comunitárias de suporte em cuidados paliativos (alimentação, tratamento, reabilitação, cuidados de higiene e apoio da família);
5. Equipas de Gestão de Altas, que identificam e preparam as respostas às necessidades do doente antes de sair do hospital.

