61% das crianças que vão a consultas de obesidade têm menos de 10 anos - Médicos de Portugal

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61% das crianças que vão a consultas de obesidade têm menos de 10 anos

20 Março, 2009 0

O número de consultas de obesidade pediátrica está a aumentar em Portugal. Mais de metade das crianças que aparecem nas consultas têm menos de 10 anos. O Hospital Amadora-Sintra, em colaboração com o agrupamento escolar da Amadora, realizou um estudo sobre a incidência da obesidade infantil que será amanhã apresentado no 26º Encontro Nacional de Clínica Geral, a decorrer no Tivoli Marina Vilamoura.

“Crianças com excesso de peso aparecem cada vez mais e com menos idade. A epidemia do séculos XXI alastra-se e, na verdade, é já a partir dos 2 anos que os pais começam a levar os filhos à consulta. No entanto, a média de idade dos consultados nos serviços de pediatria ronda os nove anos”, refere Graciete Bragança, pediatra no Hospital Amadora-Sintra e responsável pelo estudo que analisa a obesidade infantil.
Dados que serão amanhã apresentados, indicam que 21% das crianças avaliadas têm excesso de peso e 9,5% são obesas. São os alunos do 1º ciclo os que apresentam um maior índice de gordura corporal. O estudo revela ainda que 49% das crianças com excesso de peso ou obesas tem joelho valgo (uma deformidade ortopédica que se caracteriza pelos joelhos curvados para dentro); 25% são insulino-resistentes e 18% tem esteatose hepática (acumulação de gordura no fígado).

Denunciando o risco de persistência da obesidade na idade adulta, o estudo comprova que em crianças na fase pré-escolar a incidência em adulto é de 26% a 41%, sobe na idade escolar para uma prevalência de 42% a 63% e na adolescência tem uma representação de 66% a 78%.

Manuela Ambrósio, médica de família no Centro de Saúde do Entroncamento, afirma que, “na sua maioria, os pais não estão atentos para o excesso de peso dos filhos. Em consultas de rotina, é o médico de família quem identifica a situação. Em muitos casos, os pais menosprezam o problema e raramente respondem positivamente às recomendações feitas pelo seu médico”.

“O excesso de peso representa uma menor qualidade de vida para a criança que se cansa com facilidade, tem dificuldade em mexer-se e apresenta uma baixa auto-estima. Sensibilizar os pais para a prevenção e acção, reforçando as complicações futuras deste problema, é essencial”, conclui a médica de família.

A medicina baseada na evidência foi abordada no terceiro dia do 26º Encontro Nacional de Clínica Geral. “A qualidade da prestação dos cuidados de saúde primários passa hoje pela objectividade e assertividade dos diagnósticos médicos”, defende António Vaz Cordeiro, director do Centro de Estudos de Medicina Baseada na Evidência. A medicina baseada na evidência (MBE) foi definida pelo próprio António Vaz Cordeiro como “o uso consciencioso e criterioso da melhor evidência actual relativa à pesquisa clínica sobre o tratamento de doentes”. Neste paradigma de prática clínica valorizam-se os estudos em detrimento do empirismo.

No dia de encerramento do 26º Encontro Nacional de Clínica Geral será ainda apresentado o Guia do Utente. Por ora este é ainda um projecto-piloto, desenvolvido pela equipa da USF Marginal, mas, futuramente, pretende ser uma útil ferramenta que visa facilitar a vida do utente no SNS, nomeadamente, nos serviços de medicina familiar. O Guia do Utente permitir juntar toda a documentação (cartão do utente, receituário, telefones, horários, conselhos específicos, entre outros) numa só pasta funcional. Este projecto inovador conta com o patrocínio da Fundação AstraZeneca.

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