Vista cansada? É mais normal do que parece
É comum ouvir a expressão “ter a vista cansada”. Este é um termo muitas vezes utilizado para referir dificuldades de visão para o perto, o que em termos médicos se denomina “presbiopia”.
Vista cansada, no sentido comum, tem que ver com todos os sintomas relacionados com o esforço de visão, aquilo a que os médicos chamam “astenopia”. Então em que consiste a vista cansada ou presbiopia?
Um olho normal é capaz de focar na retina a imagem de um objecto colocado ao longe, isto é, a mais de seis metros. Se o objecto for deslocado para mais próximo do olho, a imagem, claro está, desloca-se no mesmo sentido e ficará colocada atrás da retina. Na verdade, isto não acontece porque o olho tem capacidade de mover a imagem de trás para a frente de modo a recolocá-la na retina. A este processo dá-se o nome de acomodação.
A acomodação resulta da contracção de um músculo no interior do olho – o músculo ciliar – que faz com que o cristalino aumente o seu diâmetro ântero-posterior e, por consequência, o seu poder convergente.
A acomodação funciona muito bem até aos 42-44 anos, idade em que progressivamente vamos perdendo capacidade de acomodar, que é como quem diz, vamos perdendo progressivamente capacidade de ver ao perto. Aos 65 anos, a acomodação desaparece completamente e a visão para perto deixa de piorar.
Não se sinta sozinho!
A perda da capacidade de ver ao perto a partir dos 42-44 anos é universal e afecta todos por igual, letrados ou iletrados, com hábitos de trabalho ou habituados a não fazer nada, utilizadores zelosos de óculos receitados pelo médico ou renitentes crónicos ao uso dos óculos. De facto, a perda da capacidade de ver ao perto é absolutamente normal. Sendo um processo fisiológico, nada se pode fazer no sentido de a evitar ou minorar, pelo menos nada de que se tenha conhecimento até à data.
Para compensar a inevitável perda de acomodação de modo a permitir a visão ao perto, temos de usar lentes convergentes. As lentes convergentes só podem ser usadas quando olhamos para perto e nunca para longe, sob pena de desfocar a imagem do objecto colocado ao longe, o que, na prática, quer dizer todos os objectos que estejam para além de 40 cm de distância do olho.
Sendo assim, torna-se necessário usar dois pares de óculos. Para obviar o inconveniente de usar dois pares, podemos optar por óculos bifocais ou progressivos, ambos possuindo dois pontos de focagem e, por conseguinte, permitindo ver ao perto e ao longe. Se o leitor nunca usou óculos até aos 42-44 anos, e portanto vê bem para longe, pode ainda optar por óculos “meia-lente”, que permitem olhar em frente por cima das lentes.
Importa saber…
Foi dito que a vista cansada afecta todos por igual. Como explicar então a circunstância de um amigo com 55 anos conseguir ver ao perto sem óculos?
Vê melhor do que eu, que apesar de ter menos alguns anos só consigo ler com óculos? A resposta encontra-a o leitor se mandar esse amigo ler umas letras ao longe: verifica-se uma incapacidade de ver correctamente ao longe, isto é, a presença de miopia. A miopia é a única situação que permite ver ao perto sem óculos na idade da vista cansada. O míope tira os óculos para ver ao perto e deste modo compensa a falta de acomodação. A razão pela qual isto acontece é aritmética: a lente da miopia é divergente ou negativa, enquanto a lente da vista cansada é positiva ou convergente.
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