Tratamentos permitem reduzir danos físicos e psicológicos
Terapia hormonal de substituição
A deficiência estrogénica, que ocorre após a menopausa por falência da actividade dos ovários, é um factor de risco importante para a osteoporose.
«Apesar de não existirem estudos de grande dimensão que avaliem a eficácia da terapia hormonal de substituição (THS) no tratamento da osteoporose, como por exemplo acontece com os bifosfonatos e com o raloxifeno, a revisão dos dados publicados na literatura científica parece indicar que, usados durante um período longo de tempo, os estrogénios reduzem o risco de fractura osteoporótica», sustenta o reumatologista, continuando:
«Devido a ser controverso o aumento de risco cardiovascular nas mulheres a fazer THS e ao risco de aumento da incidência de neoplasia da mama e do útero, esta terapêutica está actualmente reservada ao período da pós-menopausa, quando as mulheres tem sintomas vasomotores (ex.: afrontamentos), devendo ser substituído por outro tratamento eficaz para a osteoporose logo que possível.»
Raloxifeno
«Os SERM, medicamentos com actividade selectiva de estimulação ou inibição dos receptores de estrogénios, dos quais fazem parte o raloxifeno, têm um perfil adequado para preencher o espaço terapêutico da pós-menopausa relativamente precoce, quando a mulher deixou de ter sintomas vasomotores significativos», informa o especialista, acrescentando:
«Existem dados que confirmam um efeito protector do tratamento com raloxifeno quanto ao aparecimento de fracturas vertebrais, tanto em doentes com osteoporose, como em doentes com osteopenia (situação em que a quantidade de osso está entre o normal e a osteoporose). Existe também alguma evidência científica de que o raloxifeno pode prevenir fracturas não vertebrais em doentes com osteoporose grave.»
Ainda segundo Paulo Coelho, «um dos aspectos mais importantes para este grupo de fármacos, é a sua possibilidade de poderem ter outros efeitos benéficos, por exemplo, na prevenção do cancro da mama e patologia cardiovascular. Necessitamos de saber os resultados dos estudos actualmente em curso».
Bifosfonatos
Os bifosfonatos são moléculas análogas do pirofosfato de cálcio e que, após serem absorvidos, se ligam ao tecido ósseo, inibindo o efeito dos osteoclastos, as células que tem um efeito de reabsorção do osso. A eficácia antifracturária dos bifosfonatos está, pois, bem demonstrada, nomeadamente na prevenção de fracturas vertebrais e não vertebrais.
Considerando que as fracturas não vertebrais, como as do colo do fémur, ocorrem mais tardiamente do que as vertebrais, os bifosfonatos podem ter um papel importante nas mulheres já com algum tempo decorrido da menopausa, altura em que quer o esqueleto vertebral quer os ossos longos estão em maior risco de fractura.
«A administração por via oral dos bifosfonatos exige o cumprimento rigoroso das normas de ingestão, nomeadamente o tempo de jejum entre a administração do fármaco e a primeira refeição do doente», menciona Paulo Coelho, frisando que «alguns doentes revelam intolerância digestiva, o que pode prejudicar o alcance do necessário tratamento contínuo e regular para a osteoporose».
Teriparatida
Para os casos de osteoporose grave (com fracturas) ou quando outros tratamentos são ineficazes ou intolerados, surgiu recentemente no mercado um fármaco que tem como princípio activo a teriparatida.
«Este medicamento tem um efeito diferente dos outros fármacos até agora utilizados, visto ser um osteoformador e não um inibidor da reabsorção óssea», explica o reumatologista, que continua:
«Trata-se de uma fracção da paratormona (PTH) (hormona produzida pelas glândulas paratiroideias). Paradoxalmente, a PTH, apesar de ser fisiologicamente um estimulador da reabsorção óssea, tem um efeito promotor da formação óssea quando administrada em pequenas dosagens e de forma intermitente, como é o caso da teriparatida.»
Foram, aliás, publicados estudos em seres humanos que provam um efeito positivo sobre a massa óssea e sobre a prevenção de fracturas vertebrais e extravertebrais. Este fármaco está reservado, actualmente, a casos de osteoporose mais grave, devendo ser administrado por um período de 18 meses.
«Com a teriparatida foi demonstrado não só um aumento da quantidade de osso, mas também um efeito positivo na qualidade da estrutura óssea, com restauro de parte da microarquitectura afectada pela evolução da osteoporose», conclui Paulo Coelho.

