Tensão sem atenção
Pouca atenção é o que recebe a hipertensão em crianças e jovens. Porque se pensa – erradamente – que este é apenas um problema de adultos. Mas não é e cresce entre os mais pequenos ao ritmo de um estilo de vida que favorece o excesso de peso.
Da hipertensão pensa-se que é exclusiva dos adultos, quando, na realidade, está a aumentar entre as crianças e jovens. A Sociedade Portuguesa de Hipertensão estima mesmo que entre 20 a 30 por cento dos menores de 18 anos apresentem valores elevados de pressão arterial. Mas, apesar desta prevalência, apenas numa minoria a doença foi diagnosticada.
E, de facto, este é um dos principais problemas em torno da hipertensão arterial em crianças e jovens. O facto de estar subdiagnosticada tem implicações sérias na saúde futura, com um risco acrescido de doenças como o acidente vascular cerebral, o ataque cardíaco, a insuficiência renal, a aterosclerose e outras.
Não é fácil identificar a hipertensão nas crianças, na medida em que os valores considerados normais mudam à medida que crescem, sendo definidos em função do género, da idade, do peso e da altura. É o percentil que determina esses valores, ao contrário do que acontece nos adultos, em que há limites – 14/9.
Acresce que a medição da pressão arterial nas crianças não é ainda uma prática corrente.
De mãos dadas com o excesso de peso
Quando se fala de hipertensão em menores distinguem-se duas situações: a hipertensão secundária, que tem subjacente uma doença, e a primária, associada ao estilo de vida. A secundária é mais comum entre as crianças com menos de dez anos, podendo ser desencadeada, nomeadamente, por patologias como as renais e cardíacas ou a diabetes do tipo 1. Já a primária ocorre sobretudo em crianças mais velhas e nos jovens, tendo como factores de risco o excesso de peso e a obesidade, a falta de exercício físico, uma dieta com excesso de sal, colesterol e triglicéridos elevados e diabetes do tipo 2.
É este tipo de hipertensão que está a aumentar, ao mesmo ritmo a que se deterioram os hábitos alimentares. Com a obesidade a afectar uma em cada três crianças portuguesas é de esperar que a hipertensão dispare, até porque, em regra, não há obesos que não sejam hipertensos.
Nem sempre a hipertensão nas crianças apresenta sintomas. Mas, quando eles acontecem, envolvem dor no peito, fadiga, dificuldade de concentração, dor de cabeça e dificuldade em dormir. São sintomas que decorrem do maior esforço exigido ao aparelho circulatório – os músculos do coração têm de fazer mais força para bombear o sangue e as artérias sofrem uma pressão acrescida à medida que transportam o sangue a todo o organismo.
Dado o risco de a hipertensão perdurar no tempo, mantendo-se pela vida adulta, é fundamental tratá-la quanto antes. Até porque há o risco de complicações, nomeadamente ao nível de doenças do coração e dos rins.
A primeira abordagem no tratamento envolve mudanças no estilo de vida.
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