Retardar a progressão da demência não é impossível » Viver com a doença de Alzheimer
Sendo um processo degenerativo do cérebro, a doença de Alzheimer começa por afectar a memória recente. Numa fase mais avançada, o doente poderá ficar destituído da sua autonomia e dependente da ajuda de outras pessoas para viver. Para agravar, existem doentes que, devido a carências económicas, não têm acesso à terapêutica.
A doença de Alzheimer é, hoje em dia, a responsável por 50% das demências primárias. Aos 80 anos, a probabilidade de os quadros demenciais surgirem situa-se entre os 30 e os 40% e, segundo alguns autores, a partir desta idade, a probabilidade duplica a cada cinco anos que passam. Portanto, aos 85 ou 90 anos, a prevalência de perturbações mentais relacionadas com a idade pode ser bastante elevada.
Hoje em dia, em Portugal, tal como na maioria dos países industrializados, a esperança média de vida, à nascença, é de 80 anos. Este é um facto animador, mas, com o avançar da idade, são várias as doenças que podem surgir. Entre elas, destacam-se as relacionadas com a perda das capacidades do cérebro que decorrem da degenerescência deste órgão, como a doença de Alzheimer.
Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), de 2002, a população idosa (mais de 65 anos) portuguesa duplicou nos últimos 40 anos. Em 1998, o número de idosos era superior a um milhão e meio de pessoas (15, 2% da população).
Neste nada agradável contexto, acresce que são muitos os doentes que deveriam receber a terapêutica, mas que não têm capacidades económicas para a suportarem. Em Portugal, os agregados com idosos são os mais desfavorecidos em termos económicos, apresentando taxas de pobreza superiores às da população em geral.
Um estudo do INE, de 2001, revela que os maiores índices de pobreza registam-se nas zonas rurais, onde a maioria da população é idosa. Noutro estudo deste instituto, de 2000, verifica-se que os gastos com a saúde representam 8,7% do total das despesas dos portugueses com mais de 65 anos. Mas é na alimentação e na habitação que este grupo etário gasta a maior parte do seu limitado orçamento.
Uma ajuda na luta contra as limitações económicas
A pensar nas limitações económicas de muitos doentes, a Associação Portuguesa de Familiares e Amigos do Doente de Alzheimer (APFADA), em parceria com os laboratórios Pfizer, criou o programa «Ajudar é Cuidar», com o objectivo de facilitar a terapêutica a 1000 doentes com Alzheimer que, por motivos de carências económicas, não estejam a tomar a medicação de que precisam.
A comparticipação do Serviço Nacional de Saúde (SNS) nos medicamentos para o tratamento da Alzheimer é, actualmente, de 40% ou de 55% (consoante o doente tenha regime geral ou especial). Mesmo com a participação dos serviços socais, os custos da medicação para as doenças demenciais, como a Alzheimer, não são acessíveis a muitas pessoas.
Mas, mesmo assim, esta comparticipação não é suficiente para que muitos doentes carenciados possam suportar o custo da terapêutica da Alzheimer e, assim, não a recebem. Os medicamentos só serão comparticipados se forem prescritos por um neurologista ou um psiquiatra que deverá mencionar na receita o número do despacho que abrange o medicamento indicado.

