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E se a Branca de Neve tivesse acne juvenil?

7 Fevereiro, 2007 0

Espelho, espelho meu, existe alguém mais belo do que eu? Quantas vezes a resposta a esta pergunta não é a desejada, precisamente por causa daqueles inestéticos pontos negros ou daquelas horríveis borbulhas!

Pois é, e a culpa é toda da tão falada mas nem sempre bem conhecida Acne Juvenil. E como para combater eficazmente um inimigo é importante conhecê-lo, vamos através deste pequeno artigo tentar esclarecer algumas dúvidas e desfazer alguns mitos que existem sobre esta patologia.

Acne juvenil, o que é?

A acne juvenil ou acne vulgar é uma doença da pele que surge na puberdade, ocorrendo em ambos os sexos e que pode persistir até à idade adulta. A gravidade das lesões é muito variável, sendo quase imperceptíveis nalgumas pessoas, enquanto que noutras as lesões são mais evidentes, interferindo com a qualidade de vida e a auto-estima, originando muitas vezes problemas emocionais durante a adolescência.

Como se origina?

O folículo pilossebáceo é constituído por uma glândula sebácea e um folículo piloso unidos por um canal comum que comunica por um orifício com o exterior. A alteração fundamental da acne consiste no aumento da produção e retenção de material sebáceo com a consequente obstrução do orifício folicular. Um conjunto de factores hormonais, infecciosos e imunológicos irão concorrer para o aparecimento das variadas formas de lesões acneicas nas zonas de maior concentração de glândulas sebáceas: face, região anterior do tronco e superior do dorso.

Quais as formas de apresentação?

Em síntese e partindo das lesões menos graves para as mais graves, podemos dizer que existem lesões não inflamatórias (comedões fechados ou pontos brancos; comedões abertos ou pontos negros) e lesões inflamatórias (pápulas – lesões avermelhadas de 2 a 5 mm de diâmetro; pústulas – pápulas com pus; nódulos – lesões inflamatórias com mais de 5 mm de diâmetro; quistos e abcessos) responsáveis pelo aparecimento de lesões cicatriciais residuais de grau variável.

Que tipos de tratamento existem actualmente?

Tópico (aplicado na pele) para as formas mais leves, sistémico (tomado por via oral) para as formas mais graves ou uma associação dos dois. As formas mais graves e as cicatrizes devem ser tratadas pelo médico dermatologista. O aparecimento de efeitos visíveis exige geralmente várias semanas de tratamento.

A abordagem terapêutica deve ser:

– Individualizada, uma vez que as formas de apresentação da doença são muito variáveis;

– Precoce, de modo a evitar ou diminuir as complicações;

– Sempre supervisionada por um médico.

Que cuidados deve ter com a pele?

Qualquer dos tratamentos indicados acima deve ser sempre acompanhado de uma boa higiene da pele, devendo lavar-se as zonas afectadas com água e sabonete suave, de manhã e à noite.

Não ceder à tentação de espremer as lesões pois esta é uma das causas do aparecimento de cicatrizes permanentes.

Devem ser evitados todos os cosméticos, incluindo cremes “hidratantes” ou fotoprotectores.

Mitos e realidades

“O chocolate e outros alimentos provocam “borbulhas”.
Não existe evidência científica sobre a influência da dieta sobre a acne, contudo recomenda-se uma alimentação saudável.

“Lavar o rosto várias vezes ao dia ajuda a evitar a acne”.
Lavar o rosto várias vezes ao dia NÃO ajuda a evitar a acne.

“A acne é contagiosa”.
Apesar de ser uma infecção, a acne não é contagiosa.

“Os pontos negros devem-se a sujidade da pele”.
O escurecimento é provocado pela oxidação que ocorre quando o orifício folicular se abre permitindo o contacto com o ar e não por sujidade.

“Os contraceptivos orais (pílulas) agravam a acne”.
Pelo contrário, alguns podem ser um auxiliar no tratamento desta patologia.

“A menstruação causa a acne”.
Pode haver um certo agravamento no período pré-menstrual e/ou menstrual.

“As cicatrizes de acne não têm cura”.
Existem vários recursos para o tratamento das cicatrizes, que devem ser sempre realizados por um médico dermatologista experiente em cirurgia dermatológica.

“A exposição solar melhora/piora a acne”.
A exposição aos raios solares ou aos raios ultravioleta pode ser favorável se for feita de forma moderada e gradual. Deve ter-se sempre em conta que alguns tratamentos contra-indicam a exposição solar intensa e que esta pode mesmo levar ao agravamento das lesões.

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