Reabilitação respiratória
Um programa de reabilitação respiratória tem como objectivos proporcionar a diminuição das incapacidades físicas e psicológicas causadas pela doença respiratória através da melhoria da aptidão física, mental e consequentemente da performance dos pacientes, promovendo a reintegração social máxima dos mesmos.
Como critérios de referenciação para o Programa de Reabilitação Respiratória temos todos os utentes que apresentam doença respiratória crónica manifestando sintomas persistentes de fadiga e dispneia, trocas gasosas comprometidas, hospitalizações frequentes, estado funcional e emocional comprometidos e diminuição da participação em actividades da vida diária. Devem ser excluídos utentes com doença ortopédica e neurológica grave que comprometa a mobilidade e cooperação no programa.
A doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) é geralmente a mais indicada para este tipo de programas. Na DPOC, a dispneia é um importante factor de incapacidade, levando ao descondicionamento físico do utente progressivamente. Durante o exercício, verifica-se um aumento do recrutamento de oxigénio cerca de 30% superior a indivíduos sem patologia. Esse recrutamento de oxigénio é necessário para irrigar os músculos respiratórios que se apresentam fracos. Se esse exercício não for controlado, o doente vai entrar em fadiga e falência muscular, resultando em dispneia e medo durante a realização de algum esforço.
Desta forma, os principais benefícios da reabilitação respiratória são:
> Redução dos sintomas respiratórios de fadiga e dispneia;
> Reversão da ansiedade e depressão;
> Melhoria da tolerância ao exercício com aumento da resistência ao esforço;
> Melhoria na habilidade para a realização das AVD;
> Redução do número de dias de hospitalizações.
A reabilitação respiratória não altera as provas funcionais da espirometria, a relação dos gases arteriais durante o repouso nem a eficiência das trocas gasosas (Fonseca et al., 1996). Por outro lado, permite ao doente controlar a dispneia durante a actividade física, contribuindo para um aumento do número de metros na prova de marcha de 6 minutos, aumentando, também, o tempo de treino sem dispneia (Nishivama et al., 2008; Naji et al., 2006).
Marta Gomes,
Mestrado em Fisioterapia Cárdiorrespiratória, Centro de Saúde de Penafiel
Jornal do Centro de Saúde
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