Quando a suspeita de cancro da mama é um fantasma que ronda » Descobrir a resposta num único dia
Neste caso, trata-se de uma consulta de segunda opinião, muito procurada nas doenças oncológicas, em que os pacientes, para garantirem um menor número de falhas no tratamento, ouvem mais do que um médico.
«Grande parte das pessoas que vêm a esta clínica, trazem já alguma indicação de que têm algo mais sério. Portanto, o número de mulheres que aqui ocorrem para fazer a primeira mamografia é menor», assegura José Luís Fougo, que acrescenta:
«É uma vertente que queremos divulgar, porque está cientificamente provado que, se a mamografia for complementada com o exame clínico (palpação e inspecção feita por um médico), há uma potenciação da possibilidade de detectar alguma lesão suspeita.»
Muitas mulheres, porque têm sinais anómalos, ou porque são zelosas da sua saúde, procuram formas de averiguar se o seu peito ainda não foi afectado por incómodos tumores. Mas, muitas vezes, esta resposta tarda em chegar.
Espera-se pela consulta com o médico de família, espera-se pela marcação da mamografia, aguarda-se pelos seus resultados e pela avaliação do médico. E este compasso de sucessivas esperas pode mesmo prolongar-se por meses ou, quiçá, anos. Porém, o avançar de um tumor maligno não espera, não pára e, se nada for feito atempadamente, pode atingir um estado de alastramento tal que dificilmente será curável.
Foi neste contexto de aflitiva demora que nasceu o conceito de one day clinic, com o objectivo de, em apenas num só dia, fazer o diagnóstico, dar uma resposta, seja ela a mais conveniente ou não, e aconselhar o caminho a seguir no caso de o cancro ser detectado.
A Clínica da Mama da Boavista, no Porto, é o exemplo de uma instituição que segue este conceito. «A nossa ideia principal é conseguirmos, através de uma abordagem multidisciplinar, em que integramos uma avaliação clínica, uma avaliação de imagem e, se necessário, uma avaliação por biopsia, e com este triplo diagnóstico, responder, de forma imediata, à natural ansiedade da mulher que descobre o cancro da mama e que quer rapidamente ver resolvida a sua situação», afirma o Dr. Fernando Osório, um dos cirurgiões da equipa que dá vida a esta clínica.
Em funcionamento desde Janeiro de 2005, a ideia embrionária foi oferecer «um tipo de consulta que permitisse às doentes obter o diagnóstico apenas num só dia e só numa consulta», conta o Dr. José Luís Fougo, outro cirurgião geral da clínica, continuando:
«Deste modo, evitam-se as repetidas idas ao médico, primeiro para apresentar a queixa, depois para levar os exames, depois, se os exames indicarem que é necessário fazer uma biopsia, ter de a marcar e voltar, novamente, ao médico para mostrar o resultado.»
Na Clínica da Mama da Boavista tudo isto se consegue numa só tarde, pois dispõe de um grupo multidisciplinar de médicos especialistas, particularmente dedicados ao cancro da mama.
Multidisciplinaridade é o segredo
A equipa que dá corpo à Clínica da Mama da Boavista é composta por dois cirurgiões gerais, Drs. Fernando Osório e José Luís Fougo; um radiologista, Dr. António Cardoso; uma especialista em Anatomia Patológica, Dr.ª Joanne Lopes; e um cirurgião plástico e reconstrutivo, Dr. Álvaro Silva.
Para além destes médicos, a instituição dispõe da colaboração de outras especialidades, nomeadamente Oncologia Médica, Radioterapia, Medicina Física e Reabilitação, Genética Médica, Ginecologia e Psicologia. Portanto, se o doente necessitar de acompanhamento numa destas áreas, usufrui de um encaminhamento directo e célere através da clínica.
Com esta equipa, para além de fazer o diagnóstico e disponibilizar a opinião médica, a Clínica da Mama possibilita, também, o tratamento cirúrgico.
«Do ponto de vista cirúrgico, tudo o que é, hoje em dia, considerado como o estado da arte no cancro da mama, nós estamos capacitados para fazer», diz José Luís Fougo, que continua:
«Não oferecemos tratamentos complementares, como a quimioterapia ou a radioterapia, mas dispomos de ligações a outras instituições que são capazes de os fazer.»
Sedeada na Casa de Saúde de Boavista, esta clínica tem condições para operar e internar os doentes que ali decidam ser tratados. «Até agora, as mulheres a quem diagnosticámos um tumor maligno, foram também aqui operadas por sua própria escolha», sustenta este cirurgião.
Diagnosticar melhor, combinando diferentes exames
A mamografia pode ser suficiente para detectar um cancro, mas não é resposta para todas as situações.
Como aconselha José Luís Fougo, «podem haver lesões malignas que este exame não detecta, particularmente, nas mulheres mais jovens, daí a vantagem em associar a mamografia a outros exames de diagnóstico».
Ecografia mamária, ressonância magnética, galactografia (mamografia em que é injectado, pelo mamilo, um contraste radiológico que permite ver o interior dos canais) e biopsias (colheita de um fragmento da lesão para análise ao microscópio) são alguns dos exames de diagnóstico de que a Clínica da Mama dispõe.
Todavia, a observação clínica, é, também, indispensável na detecção do cancro da mama.
«Muitas vezes, as mulheres vêm cá à procura de uma segunda opinião, relativamente à informação que uma mamografia prévia lhes forneceu, e nós fazemos novamente o exame físico, avaliamos os exames que as doentes trazem e tentamos responder a todas as dúvidas», revela o especialista.

