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Ciclo da Mulher

30 Maio, 2007 0

Seria utópico apontar, nas breves páginas que se seguem, as soluções para o tão vasto número de inquietações que, todos os dias, interpelam a mulher. Em vésperas do Dia Internacional da Mulher – 8 de Março –, fica aqui uma pequena ajuda para que elas identifiquem e saibam resolver alguns dos problemas que podem encontrar ao longo da vida: desde a adolescência até para lá da menopausa.

Quando deixamos de ser crianças…

A adolescência é talvez a fase mais complicada da vida. Enquanto que uns deixam de ser crianças «à força», outros é «à força» que querem deixar de o ser. E, neste misto de querer e não querer, de saber e não saber, de sentir e não sentir, muitas mudanças físicas e psicológicas ocorrem. Deixa-se de admirar os brinquedos e passa-se a olhar para o próprio corpo que muda de dia para dia.

Tanto de novo a acontecer, sensações nunca antes experienciadas, dores vindas não se sabe bem de onde, pêlos que crescem, ancas que alargam, seios que afloram, a primeira menstruação e, entre tanta confusão, começa-se a ser mulher.

O início da puberdade, que marca o nascer da adolescência, caracteriza-se por várias mudanças internas e externas. «Embora em 20% dos casos a puberdade se inicie com o aparecimento dos pêlos púbicos, o desenvolvimento mamário, designado por telarca, é, habitualmente, o primeiro sinal da puberdade, ocorre por volta dos 10 anos e tem uma duração média de 4,5 anos», diz a Dr.ª Helena Leite, da Consulta de Ginecologia de Adolescentes, Serviço de Ginecologia da Maternidade Bissaya-Barreto (Coimbra).

Em geral, «dois anos após o início da telarca, dá-se a primeira menstruação ou menarca, cuja idade média é aos 12,8 anos, nos países ocidentais. Paralelamente, verifica-se o desenvolvimento da maturação sexual, caracterizada pela afirmação da identidade sexual», afirma a mesma ginecologista.
De facto, a adolescência é, para muitos, a altura em que se inaugura a vida sexual e problemas decorrentes da falta de maturidade e informação podem ser «a pedra de toque» para actos irracionais e de desagradáveis consequências.

«Apesar de não existirem muitos estudos sobre a idade em que ocorre a primeira relação sexual, nos países ocidentais e em média, ocorre por volta dos 18 anos», revela a Dr.ª Joana Belo, também da Consulta de Ginecologia de Adolescentes da Maternidade Bissaya-Barreto.

Os problemas da sexualidade na adolescência

Mas por que razão as relações sexuais na adolescência podem ser problemáticas? Para além da gravidez precoce, que transforma a adolescente em mãe quando ela da mãe ainda precisa, existe a ameaça das infecções sexualmente transmissíveis (IST).

«Ainda que alguns estudos refiram um aumento do risco de prematuridade, de atraso do crescimento intra-uterino e de baixo peso do recém-nascido, nas grávidas adolescentes, estas consequências podem ser atribuídas às condições adversas em que a gravidez se desenrola, e não por ser não desejada», acredita Joana Belo, que sublinha:

«A tónica deve ser colocada nas possíveis consequências de ordem psicoafectiva, socioeconómica e educativa pelo que é ponto assente a necessidade de um acompanhamento psicológico e social sistemático da adolescente grávida. E para se reduzir o risco da gravidez não desejada, além da informação sobre os métodos contraceptivos adaptados à idade da adolescente, deverá ser-lhe garantida uma contracepção eficaz e gratuita.»

Outros problemas relacionados com o início precoce da actividade sexual são as infecções sexualmente transmissíveis (IST). «As adolescentes são mais vulneráveis a este tipo de infecções, o que se deve a factores biológicos (fragilidade da mucosa cervical) e a factores psicossociais (para além da imaturidade cognitiva, a tendência para o encobrimento da doença, aliada à falta de esclarecimento e informação)», avisa Joana Belo.

As IST com maior impacto a nível da saúde são as provocadas pelos vírus da imunodeficiência humana (VIH), do papiloma humano (VPH), os herpes simplex, as hepatites B e C, ou por bactérias como a sífilis. Por isso, é recomendável a realização sistemática de exames nos casos de suspeita de infecção e sempre que a adolescente refira corrimento vaginal, dores pélvicas ou qualquer outro sintoma que sugira infecção.

No caso de ser detectada alguma infecção, a actuação deverá ser imediata e eficaz no sentido de se prevenirem as sequelas que podem comprometer seriamente a fertilidade futura da adolescente. «A existência de uma queixa deve constituir uma oportunidade para esclarecer sobre o perigo destas doenças não tratadas e a forma de as prevenir através do uso sistemático do preservativo e promovendo a sexualidade responsável», recomenda a especialista.

A altura certa para ser mãe?

Transposta a fase da adolescência e alcançado o ambicionado estatuto de adulta, a mulher vai adquirindo preocupações diferentes e os problemas com que se depara são outros. É entre a adolescência e a menopausa que a mulher mais ambiciona ser mãe e só desse desejo são muitas as inquietações que podem resultar.

E as interrogações surgem: Será a altura certa? Para já ainda é cedo, mas depois não será demasiado tarde? Por que será que estou com dificuldade em engravidar? Estarei perante um problema de infertilidade?

A redução da fertilidade aumenta com o avançar da idade. Mas o cenário não está tão negro quanto se tem «pintado» nos últimos tempos: «85% a 90% dos casais consegue uma gravidez ao fim de um ano de tentativas e a taxa de infertilidade tem-se mantido idêntica nas três últimas décadas», assegura o Dr. Fernando Cirurgião, assistente hospitalar de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital de S. Francisco Xavier (Lisboa).

Por outro lado, «o aparecimento da fertilização in vitro e outras técnicas de reprodução medicamente assistida vieram garantir que quase todos os casais possam vir a ter filhos», acredita o ginecologista.
O problema da infertilidade pode estar relacionado com as alterações demográficas e sociais que fazem com que um número cada vez maior de mulheres procure a gravidez numa altura em que, biologicamente, a fertilidade se encontra em declínio.

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