Sal, hipertensão e doenças cerebrovasculares » Reduzir o consumo do sal previne hipertensão - Médicos de Portugal

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Sal, hipertensão e doenças cerebrovasculares » Reduzir o consumo do sal previne hipertensão

1 Junho, 2007 0

Está comprovada a «íntima relação» entre a tensão arterial elevada e as doenças cerebrovasculares que, por sua vez, constituem uma das principais causas de morte no nosso País.

Por exemplo, anualmente, morrem mais de 20 mil portugueses por acidente vascular cerebral (AVC). E o consumo excessivo de sal é um dos responsáveis pelo aparecimento da hipertensão.

Os especialistas, que diariamente lutam pela redução da mortalidade devido à trilogia doenças cerebrovasculares, hipertensão e consumo de sal, têm manifestado a sua preocupação relativamente a este assunto, fomentando iniciativas várias.

Autor de vários estudos, o Prof. Massano Cardoso, professor catedrático de Epidemiologia e Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, elaborou mais um inquérito, que resultou no estudo Hipertensão Arterial, Consumo de Sal e Alimentos Pré-confeccionados em Portugal.

«Neste momento, e na sequência da estratégia de prevenção a nível mundial, torna-se imperioso reduzir o consumo de sal dos 9 a 12 g/dia para 5 a 6 g/dia», diz Massano Cardoso, salientando que «muitos portugueses ultrapassam, e em muito, o consumo dos 12 g/dia de sal».

Ora, seria a redução do sal a grande responsável pela diminuição da pressão arterial de 7,2 a 11,2 mmHg para a tensão arterial sistólica de 3,8 a 6,4 mmHg para a tensão arterial diastólica nos hipertensos. Assim, tal redução seria também responsável pela diminuição da mortalidade.

«Em 2004 foi instituído, pela primeira vez, o Dia Nacional dos Acidentes Vasculares Cerebrais (31 de Março), com o objectivo de chamar a atenção para este flagelo médico-social. Mas ir directamente a uma das principais causas parece ser evidente.

Assim, não obstante a importância e o significado do sal nas nossas vidas e na própria evolução das espécies, seria curial a implementação do Dia do Sal – Convite a uma utilização mais racional», opina o professor de Epidemiologia, reforçando:

«Falar do sal é falar da hipertensão. É falar dos acidentes vas­culares cerebrais. É falar do enfarte do miocárdio. É falar das principais causas de doença e de morte em Portugal. É falar da principal causa de invalidez.»

Rótulos nos produtos alimentares

Infelizmente, o consumo abusivo de sal é bastante característico do povo português. Enfim, um hábito como tantos outros. Porém, muito prejudicial.

«É fundamental sensibilizar a população. Cada vez mais, há uma interiorização dos conhecimentos na área da Saúde e os portugueses parecem mais disponíveis para modificar os hábitos prejudiciais», assinala Massano Cardoso, prosseguindo:

«A par das medidas educacionais e informativas, são essenciais outras atitudes que se revistam de carácter político. São vitais iniciativas legislativas que limitem o teor de sal dos alimentos pré-confeccionados, já que uma pequena redução do teor deste produto, na ordem dos 10%, por exemplo, é susceptível de uma redução substancial da morbimortalidade.»

E conclui: «A obrigatoriedade do uso de rótulos, imposta pelo Governo, nos produtos alimentares, com indicação dos teores de sódio, certamente ajudaria os consumidores a optar pelos produtos mais saudáveis.»

População conhece relação entre a hipertensão, o consumo de sal e as doenças cerebrovasculares

Era objectivo do Prof. Massano Cardoso efectuar um estudo mais alargado, mas, nas suas palavras, «necessitava de um conjunto de apoios logísticos que não foram conseguidos, mas espero vir a tê-los no futuro».

As conclusões do estudo foram, pois, elaboradas numa amostra representativa da população portuguesa. Foram inquiridos 317 indivíduos, entre os 18 e os 64 anos, em função dos diferentes grupos etários, sexo, nível escolar, diferentes actividades profissionais, distribuídos por 27 concelhos e cobrindo todas as regiões do País.

Eis algumas conclusões:

– 19,9% dos portugueses não costumam medir a tensão arterial.

– 21,5% sofrem de hipertensão arterial.

– 76,5% dos hipertensos tomam medicamentos.

– 76,5% dos hipertensos que tomam medicamentos também fazem dieta com pouco sal, dos quais 78,8% foi por indicação médica.

– 66,2% dos portugueses consideram as suas dietas normais em sal e 25,9% mesmo pouco rica. Só 7,6% é que consideram a dieta muito rica.

– 76,7% sabem que os alimentos pré-confeccionados e muitos produtos que compram nos mercados têm teores elevados de sal; 23,4% não têm opinião ou desconhecem.

– A relação entre a tensão arterial elevada, o consumo do sal e as doenças cardiovasculares está perfeitamente identificada na nossa população, já que 94% têm esses conhecimentos.

– Relativamente à opção de alimentos com teores menos elevados de sal por parte dos portugueses, verificou-se que 78,5% faria essa opção contra 7,3%.

– A utilidade de rotulagem nos alimentos no que respeita à indicação dos teores de sal é bem-vista, já que 91,2% apoiaria esta ideia.

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