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Prof. Castanheira Dinis: “Ver bem pode não significar saúde visual”

5 Março, 2007 0

Em época de Verão, aumentam as preocupações com os raios ultravioletas e os seus efeitos nocivos para a visão. O Jornal do Centro de Saúde foi pedir a opinião e recomendações ao Prof. António Castanheira Dinis, Director do Instituto de Oftalmologia Dr. Gama Pinto e Professor de Oftalmologia na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa.

No Verão, quais os cuidados que se devem ter devido à maior exposição solar?

Está demonstrado que todas as pessoas que trabalham sistematicamente em condições de exposição a radiações estão sujeitas a sofrerem, mais precocemente, de doenças oculares, nomeadamente cataratas.

Contudo, para uma pessoa que vive habitualmente o seu dia-a-dia com alguns excessos em dias de sol, como a praia, nada está ainda demonstrado.

A radiação solar tem benefícios, mas tudo o que é em excesso tem os seus malefícios. As radiações devem ser evitadas com as protecções disponíveis. Há óculos específicos para quando se vai para a neve, ou para a praia. É uma boa indicação usar óculos de sol, mas não podemos inferir que seja um problema de saúde pública não os usar.

Ao nível das crianças é muito importante que usem um boné com pala, que proporciona sombra na face e nos olhos, mas não é protecção ultravioleta completa. Há duas questões diferentes: reduzir a intensidade luminosa e reduzir a intensidade luminosa protegendo. Considero que, usando óculos de sol, vale a pena que sejam com protecção ultravioleta.

É preciso ter a noção de que a nossa pupila, “a menina dos olhos”, quando está ao sol, é muito pequena. Mas fica grande se está no escuro, pelo que, ao colocarmos óculos escuros, a pupila fica maior e pode entrar mais radiação.

Quais os efeitos negativos da exposição dos olhos aos raios ultravioleta?

Há várias conclusões. As radiações vão interferir nos processos bioquímicos e de oxidação que podem alterar a função das células. A partir daí, estas podem ficar com menos funcionalidade e, como tal, envelhecem mais precocemente, originando, por exemplo, catarata (opacidade do cristalino).

Como escolher os óculos de sol?

Na escolha de uns óculos de sol, a pessoa deve experimentá-los junto à porta do oculista de modo a verificar com qual se sente mais confortável à exposição solar. Há também óculos escuros que fazem a selecção de algumas radiações (devido à cor da lente e ao comprimento de onda que filtra) que podem tornar até o mundo mais alegre, em tons laranja, por exemplo.

O ideal é experimentar vários óculos e verificar qual é a cor que mais lhe agrada. Costumo aconselhar 50% de protecção para a intensidade luminosa, mas, havendo óculos escuros, deve haver protecção para radiações UV.

Por exemplo, em passeios de barco deve-se efectivamente usar óculos de sol com protecção porque existe muita luminosidade e reflectividade.

Ao nível da escolha das lentes, em Portugal há fábricas que elaboram lentes, de excelente qualidade, para marcas de grande nome. Por isso, o rigor da elaboração dessas lentes depende da exigência da marca que as vende, logo, a partir do momento em que existem critérios de qualidade de produção, penso que os padrões de garantia são bons.

Qual a influencia que a cor dos olhos pode ter na protecção solar dos olhos?

Quem tem a cor dos olhos mais clara deve ter maior protecção porque é mais sensível do que os que têm os olhos mais escuros. Ao reduzirmos a intensidade luminosa a 50% já estaremos mais confortáveis.

Os olhos claros, habitualmente também acompanhados de pele clara, têm maior sensibilidade à luz e os óculos escuros são aconselháveis, como conforto.

Quais os principais objectivos da prevenção da saúde ocular da população, no quadro do Programa Nacional para a Saúde da Visão?

O nosso principal objectivo é definir as orientações e os campos que as instituições de saúde devem ter em conta ao cuidarem da saúde visual.

Há ma grande preocupação na saúde visual da criança até aos oito anos, uma vez que a função visual que ficar estabelecida (boa ou defeituosa) mantém-se para toda a vida. Na criança podem surgir doenças como o estrabismo, a catarata congénita, o glaucoma congénito, o retinoblastoma e a miopia.

Um bom acompanhamento infantil reduz os problemas no adolescente/adulto até aos 30 anos.

A partir dos 35/40 anos começam a surgir aquelas doenças sistémicas como a diabetes e a hipertensão arterial que podem afectar a saúde da visão. Já a partir dos 65 anos surgem as doenças geriátricas, relacionadas com a idade avançada, como a Degenerescência Macular da Idade.

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