Olhos sensíveis aos anos
Os danos no nervo óptico são tão discretos que uma boa parte da visão pode já estar perdida quando se descobre a doença. Não se conhece a causa precisa deste tipo de glaucoma, com uma das explicações a apontar para menor eficiência da drenagem em função da idade.
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Mais raro é o glaucoma de ângulo fechado, que normalmente configura uma emergência médica na medida em que a perda de visão pode ocorrer no curto espaço de um dia: é que o ângulo entre a córnea e a íris fecha-se ou fica bloqueado, o que faz disparar a pressão no interior do olho. O que tanto se pode dever a uma deficiência congénita – ângulo demasiado estreito – como a um aumento do cristalino e consequente pressão sobre a íris, deixando pouco espaço para a drenagem do humor aquoso. De uma forma ou de outra, este fluido acaba por ficar aprisionado no olho.
Um terceiro tipo é o chamado glaucoma de baixa pressão, ainda pouco conhecido mas não invulgar. A pressão intra-ocular mantém-se em níveis aceitáveis, mas o nervoóptico sofre igualmente danos. Os cientistas defendem que pode estarse perante um nervo óptico demasiado sensível ou que receba pouco sangue devido a uma doença como a aterosclerose.
Uma outra classificação de glaucomas divide-os entre primários e secundários: dos primeiros não se conhece a causa, enquanto os segundos têm uma condição subjacente – doenças, medicamentos, lesões e deformidades oculares.
O glaucoma está relacionado com um aumento da pressão interna do olho, mas também ocorre sem que esta condição se verifique. O que torna difícil saber quem corre mais riscos de desenvolver a doença.
Ainda assim há alguns factores que influenciam essa probabilidade: a idade (ter mais de 60 anos, ainda que haja doentes mais jovens), antecedentes familiares da doença, a raça (a negra mais do que a branca), algumas doenças (como as cardíacas, diabetes e hipertensão), lesões oculares (feridas, inflamações e tumores), miopia (ver mal ao longe), uso prolongado de corticoesteróides e deformidades do olho.
Outra dificuldade aliada ao glaucoma é o facto de evoluir quase sempre sem sintomas. À excepção do glaucoma de ângulo fechado que, na sua forma aguda, se pode anunciar através de fortes dores de cabeça, nos olhos ou nas sobrancelhas, náuseas e visão nublada.
Normalmente, o diagnóstico surge quando já há perda de visão. Perante as suspeitas – diminuição da visão periférica, por exemplo – o médico oftalmologista procede a um conjunto de testes que permitem verificar a extensão dos danos.
Confirmado o glaucoma, o tratamento visa reduzir a pressão intraocular, melhorando a drenagem do humor aquoso ou reduzindo a sua produção. Entre gotas, medicamentos sistémicos (de toma oral), intervenção com laser ou cirurgia convencional são diversas as opções, a definir em cada caso.
Com o tratamento é possível evitar a progressão dos danos, mas não recuperar a visão. Prevenir também não é fácil, por na maior parte das vezes não se saber o que causa o glaucoma. Contudo, consultas oftalmológicas de rotina permitem detectar a doença na sua fase inicial e impedir que haja danos irreversíveis.

