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Objectivo: reduzir a tensão arterial. O coração agradece

24 Julho, 2007 0

Para manter um coração bem encarnado e com os contornos bem definidos, vulgo saudável, é essencial não deixar que os factores de risco ocupem um lugar de destaque.

A hipertensão arterial (HTA) afecta mais de dois milhões de portugueses, é assintomática e um dos principais factores de risco para as doenças cardiovasculares.

Não admira, pois, que se organizem iniciativas de carácter informativo para leigos e entendidos. Serve de exemplo o workshop Progressos na Prevenção da Hipertensão Arterial organizado pela Fundação Portuguesa de Cardiologia e a Sociedade Portuguesa de Aterosclerose, como o apoio do Instituto Becel.

O dia em que decorreu – 14 de Fevereiro – não foi escolhido por acaso. Nesta data comemora-se o Dia do Doente Coronário.

Epidemiologia da hipertensão em Portugal, avaliação do risco cardiovascular global, hipertensão no risco vascular, prevenção da HTA com a alimentação, o papel dos péptidos bioactivos e o melhoramento da prevenção cardiovascular na prática clínica foram as temáticas abordadas nesta acção de formação.

Avaliação do risco cardiovascular global

«Houve um aumento do consumo de produtos ricos em açúcar e em sal e uma diminuição do consumo de hidratos de carbono complexos e fibras», indica o Prof. Manuel Carrageta, cardiologista e presidente da Fundação Portuguesa de Cardiologia (FPC), referindo-se a dois maus hábitos alimentares que predominam na dieta actualmente seguida pela população.

«Vivemos num ambiente obesogénico. As doses alimentares cresceram, apareceu o fast-food, aumentou o consumo de alimentos com alta densidade energética, muito do tempo é passado em frente da televisão ou do computador e é escassa a actividade física», acrescenta o cardiologista, salientando que «uma das consequências destes comportamentos é a obesidade e a consequente perda de esperança de vida».

Os estilos de vida menos saudáveis são os responsáveis pelo aparecimento das doenças cardiovasculares, sendo a hipertensão apenas um dos factores de risco. É, pois, de considerar o tabagismo, o sedentarismo, a má alimentação, a obesidade, a hipertensão, o colesterol, entre outros, como potenciais desencadeadores das doenças cardiovasculares.

«Não nos podemos preocupar unicamente com a hipertensão na avaliação do risco cardiovascular. É necessária uma avaliação global e os factores de risco devem ser vistos como um todo, porque ao eliminar-se um deles continua a haver o risco de se sofrer de um evento cardiovascular», sustenta Manuel Carrageta.

No que diz respeito à avaliação do risco cardiovascular, um dos métodos mais empregues é a fórmula de Framingham. Este estudo tem mais de 50 anos e foi efectuado numa pequena cidade norte-americana com pouco mais de 5 mil indivíduos. Mas, na sua aplicação à população europeia verificou-se que sobrestima o risco.

Por este motivo, em 2003, foi efectuado um estudo, promovido por diversas sociedades científicas, para fazer face à realidade europeia, no qual foram avaliados cerca de 250.000 indivíduos. Denomina-se Score e dele resultaram duas tabelas: uma para países de baixo risco e outra para países de alto risco. O nosso País situa-se no primeiro grupo. Porém, uma análise mais pormenorizada mostra que Portugal integra o grupo de países de alto risco.
Conforme explica Manuel Carrageta, «o HeartScore confere uma importância proporcional de cada factor de risco no risco cardiovascular global. Em termos de doenças coronárias Portugal apresenta baixo risco, mas relativamente às doenças cardiovasculares já tem alto risco, pois somos o país da UE com maior taxa de mortalidade por acidentes vasculares cerebrais, muitos dos quais relacionados com a hipertensão».

O cardiologista refere, ainda, que «os objectivos terapêuticos assentam na mudança de estilo de vida (não fumar, ter uma alimentação saudável e praticar exercício físico) e no controlo de doenças como a hipertensão, colesterol e diabetes».

Assim, o presidente da FPC salienta que «a diminuição do risco cardiovascular global passa fundamentalmente pela prevenção».

Hipertensão no risco vascular

É de salientar a relação entre a hipertensão, a doença cardiovascular e a aterosclerose. A acumulação de gordura nos vasos sanguíneos, como consequência da aterosclerose, faz com que estes não se dilatem devidamente, fiquem mais apertados, dêem origem a estenoses da parede arterial e, consequentemente, oferecem maiores dificuldades à passagem do sangue (e a um maior esforço por parte do coração).

«Ao longo dos anos e nos períodos sucessivos de transição epidemiológica tem havido a progressiva definição dos diversos factores de risco das doenças cardiovasculares, entre eles a hipertensão», diz o Dr. Pedro Marques da Silva, presidente da Sociedade Portuguesa de Aterosclerose, frisando:

«Em 2000, estimava-se que 26,4% da população mundial sofria de hipertensão e pensa-se que em 2025 a percentagem suba para os 39%.»

E continua: «A mortalidade cardiovascular tem sempre a marca da HTA e quando os hipertensos conseguem reduzir a pressão arterial, há sempre uma significativa diminuição dos eventos. Por isso, é urgente actuar precocemente e, possivelmente, actuar de forma combinada, em mais do que um mecanismo.»

Para este especialista de Hipertensão Clínica tem de se criar uma estratégia definida não somente para a população em geral, mas também para cada doente, em particular.

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