O olho seco em cinco perguntas
Nesta edição, dizemos-lhe o que é o olho seco, quais os factores predisponentes, como se desenvolve, quem atinge, quais os principais sintomas, como e quem se poderá tratar. Cinco perguntas respondidas pela Dr.ª Helena Filipe, oftalmologista.
O que é?
O olho seco pode ser causado por múltiplos factores que provocam alterações quantitativas ou qualitativas da lágrima, das quais resulta inflamação crónica da superfície ocular.
Como consequência surgem sintomas de desconforto e perturbação visual com possível impacto negativo considerável na qualidade de vida, comparável a muitas doenças crónicas, dependendo da gravidade dos sintomas e das complicações a que pode associar-se.
Como se desenvolve?
O relatório DEWS (Dry Eye Workshop), produzido por uma equipa de médicos oftalmologistas especialistas nesta área, distingue duas categorias básicas de olho seco: associada a redução da lágrima e causada por um aumento da sua evaporação.
O primeiro caso pode ainda associar-se a síndrome de Sjögren ou não, consoante se associa ou não a doença auto-imune.
O olho seco evaporativo pode ser determinado por doença das glândulas dos bordos palpebrais, bem como por situações externas ao sistema visual, como por exemplo a deficiência de vitamina A ou o uso de lentes de contacto.
Quem tem?
É muito frequente mas também variável na gravidade de apresentação, nos mecanismos que a determinam e na repercussão na vida diária do seu portador.
É uma doença do adulto preferencialmente do sexo feminino, sobretudo na menopausa.
Alguns anti-hipertensores, antidepressivos e anti-histamínicos podem exacerbar a síndrome de olho seco. Algumas medicações tópicas e seus conservantes, o porte de lentes de contacto e certas doenças oftalmológicas da superfície ocular, como a conjuntivite alérgica, podem cursar com sinais e sintomas de olho seco.
Certas doenças reumatológicas e auto-imunes podem associar-se a olho seco, por vezes nas suas manifestações de maior gravidade. A cirurgia refractiva, especialmente o LASIK (Laser In Situ Keratomileusis), também se associa a esta entidade, com recuperação posterior.
Os sintomas, muito variáveis e inespecíficos, são geralmente referidos aos dois olhos e podem ser desde sensação de corpo estranho, ardor, picadas, prurido no canto interno do olho, lacrimejo, dificuldade na leitura e trabalho no computador, intolerância a lentes de contacto, agravamento sintomático em ambiente de ar condicionado, até dor intensa, dificuldade em encarar a luz, secreção e redução acentuada da visão.
[Continua na página seguinte]
Como se pode tratar?
O tratamento médico faz-se de acordo com a gravidade do quadro clínico.
Pode ser suficiente a educação ao paciente, por exemplo evitar ambientes com ar condicionado, tabagismo, reduzir o tempo de porte de lentes de contacto, pestanejar com mais frequência durante actividades em que deve manter a sua atenção mais prolongadamente, e higiene cuidadosa dos bordos palpebrais e pestanas.
As gotas hidratantes da superfície ocular são a base farmacológica do tratamento do olho seco. De acordo com a sua composição, adequar-se-ão preferencialmente a cada situação clínica.
Poderão ainda ser necessários anti-inflamatórios orais ou sob a forma de gotas oftálmicas, antibióticos, ácidos gordos essenciais e outros medicamentos mais complexos, como substitutos biológicos da lágrima, estimulantes da secreção lacrimal e imunomoduladores. Poderá ainda ser necessária cirurgia oftálmica.
Páginas: 1 2

