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O estado da visão em Portugal

10 Janeiro, 2007 0

Somos 810 oftalmologistas em Portugal, dos quais 440 trabalham no Serviço Nacional de Saúde. Com pouco mais de 10 milhões de habitantes, o rácio de um oftalmologista para quinze mil cidadãos está próximo da média de países europeus, só que uma análise mais detalhada dos números diz-nos que 35% dos oftalmologistas têm mais de 55 anos e 64% mais de 45 anos, o que exige das entidades competentes uma atenção à necessária renovação etária desta classe profissional.

Por outro lado, verifica-se uma assimétrica distribuição de oftalmologistas no país, com manifesta concentração no litoral e nos grandes centros urbanos. Estará esta distribuição de acordo com o rácio aconselhável, em função da população existente? Será outra atenção que competirá às entidades competentes analisar.

Integrado no Plano Nacional de Saúde 2004/2010, o Programa Nacional para a Saúde da Visão elabora estratégias e orientações técnicas para as diversas patologias que afectam a visão, através de uma Comissão que tem a responsabilidade de trabalhar sobre a realidade nacional e que já propôs a criação de Centros de Observação de patologias para melhor conhecermos o que se passa nas várias áreas de intervenção da oftalmologia. O objectivo final é a criação de serviços de oftalmologia, redes de referenciação, protocolos inter-serviços ou programas específicos que venham a fornecer a todos os portugueses o que de melhor existe, em termos técnicos, a nível nacional.

Cerca de 50% dos portugueses têm de alguma maneira necessidade de usar óculos. A falta de diagnóstico atempado da necessidade de óculos, e o estrabismo, leva a cerca de 300 mil olhos preguiçosos (menos funcionais).

A degenerescência macular da idade (DMI) atinge cerca de 45 mil portugueses na sua forma tratável.

O glaucoma rouba a visão sem que o doente se aperceba. Mais de 100 mil portugueses são afectados por esta doença e um número superior a 30 mil tem, de alguma forma, cegueira irreversível.

A diabetes atinge cerca de 600 mil pessoas em Portugal. A nível geral, e no caso específico da oftalmologia, é um problema de saúde pública a requerer programas de combate à doença.

A catarata é a doença que mais beneficiou com a evolução tecnológica. Seis em cada dez pessoas com mais de 60 anos sofre de algum tipo de catarata, o que transposto para a realidade nacional dá 170 mil afectados. Operam-se em Portugal cerca de 30 mil por ano.

A investigação oftalmológica tem centros de renome mundial. A recente criação da Fundação Champalimaud que, nos seus estatutos, privilegia a investigação em oftalmologia, é factor de satisfação para todos os que trabalham nesta área. Mas são e serão sempre os doentes os grandes beneficiários do espírito inovador e criativo dos investigadores.

Portugal é, na oftalmologia, local de escolha para a realização de grandes congressos europeus, não só pelas excelentes condições climatéricas e gastronómicas que oferece, mas, principalmente, pelo prestígio que os seus profissionais adquiriram no campo científico.

Somos um país que no contexto europeu e mundial se pode orgulhar dos recursos humanos e técnicos que possui em oftalmologia. Precisamos de mais organização e de mais algum investimento em inovação, principalmente numa altura em que novas terapêuticas estão a surgir.

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