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O desporto para o coração

18 Maio, 2010 0

Poucos se lembrarão de Jim Fixx, o autor do best seller “Guia completo da corrida”. A morte desta figura, em 1984, com 53 anos, enquanto corria, espalhou o pânico entre os adeptos do atletismo. Como pode um homem aparentemente saudável cair morto durante o seu jogging habitual? O outro exemplo deste paradoxo é Sir Winston Churchill, que dizia que o segredo da sua longevidade era “No sports!”

Jim Fixx começou a fazer desporto apenas aos 35 anos, quando pesava 109 Kg e fumava 40 cigarros por dia. Já o seu pai falecera aos 42 anos, devido a um enfarte do miocárdio. Mesmo sem quaisquer sintomas e correndo cerca de 110 Km por semana, Jim Fixx tinha pesados factores de risco para a doença coronária: doença familiar muito precoce, hábitos tabágicos intensos e obesidade mórbida). Parece também ser verdade que ele sempre se teria recusado a submeter a um teste de esforço.

Mesmo os indivíduos sem factores de risco podem ter acidentes coronários e nem todos os indivíduos com factores de risco vão ter, inexoravelmente, um acidente cardíaco. Os factores de risco cardiovascular são condições que aumentam o risco individual de desenvolver doença cardiovascular e que podem ser modificáveis (idade, sexo masculino, doença familiar prematura precoce…) e não modificáveis (colesterol total elevado, colesterol HDL baixo, hipertensão arterial, diabetes, triglicéridos, obesidade, sedentarismo). Pela sua frequência na população, estes são considerados os mais importantes.

E voltando ao nosso exemplo, será que o exercício aumenta o risco de morte? Um estudo recente comprovou que o exercício intenso aumenta 2,5 vezes o risco de ocorrência de morte súbita durante uma actividade desportiva.

O que fazer então? Em primeiro lugar, avaliar o risco individual do candidato à prática desportiva através de exame médico/desportivo. No indivíduo jovem e saudável, o risco de morte, embora maior durante a actividade desportiva competitiva, é raríssimo (1 a 3 por 100.000 praticantes/ano). Tal como em outras situações na vida, há que saber conciliar os benefícios e os riscos.

O desporto é benéfico para a saúde e a actividade física regular tem efeitos terapêuticos importantes no tratamento da diabetes, hipertensão arterial e obesidade, sendo fundamental para a melhoria da qualidade de vida, em especial na terceira idade.

Mesmo quem nunca se exercitou pode vir a beneficiar muito com o início de uma actividade desportiva.

Para o idoso, a escolha da actividade física deve ser individualizada, de acordo com as condições físicas e as condições de saúde presentes. Dizia sabiamente Hipócrates, há cerca de 2400 anos: “Se nós pudermos dar a cada indivíduo a quantidade certa de alimentos e de exercício, nem de menos nem de mais, teremos encontrado o caminho mais seguro para a saúde.”

Ovídio Costa | Cardiologista

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