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O cancro é uma doença genética

9 Agosto, 2009 0

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Por exemplo, o cancro da pele (melanoma) é muito mais frequente na Austrália do que no Japão, o cancro do fígado é muito mais frequente na China do que no Canada, e o cancro da mama é muito mais frequente no Norte da Europa do que na China. Esta grande variação deve-se ao facto de que, para além das modificações químicas aleatórias, o cancro é também causado pela hereditariedade e pelo ambiente.

Entre os factores ambientais contam-se a dieta, o tabaco, a infecção por certos vírus e a exposição a radiações (por exemplo, radiação ultravioleta por exposição ao sol). A importância dos factores ambientais fica bem demonstrada por estudos da incidência de cancro em populações que migraram de um país para outro. Por exemplo, os japoneses que vivem no Japão têm uma incidência de cancro do estômago seis a oito vezes maior do que os americanos.

Esta diferença poderia ser devida ao facto de os japoneses serem portadores de genes distintos dos americanos. No entanto, quando os japoneses migram para os Estados Unidos, passam a ter uma incidência de cancro do estômago semelhante à dos americanos. Isto quer dizer que, com o mesmo material genético, a probabilidade de ter cancro varia com o ambiente em que se vive.

 

Quando tem um cancro causa hereditária?

Quando vários membros de uma família sofrem de cancro, particularmente se sofrem do mesmo tipo de cancro, este tem causa hereditária. Importa lembrar que existem múltiplos tipos de cancro. Quando, numa família, o avô paterno sofreu de cancro da próstata, e a prima da mãe teve cancro da mama, provavelmente não há razão para pensar em cancro hereditário. No entanto, se a avó materna e uma irmã da mãe tiveram cancro da mama, já se deve suspeitar de cancro da mama hereditário.

Quando uma pessoa tem familiares com cancro deve aconselhar-se com o seu médico no sentido de perceber se corre, ou não, risco de vir a ter um cancro hereditário.

Apesar de todos os cancros terem como causa uma série de alterações genéticas, a grande maioria dos cancros não são hereditários. Nos cancros não hereditários, as alterações genéticas ocorrem ao longo da vida do indivíduo e não são transmitidas aos seus filhos.

No caso dos cancros hereditários existe uma alteração genética que é passada de pais para filhos. Esta alteração não é, por si só, suficiente para causar cancro, mas aumenta muito a probabilidade de vir a ter cancro.

Entre os cancros com causa hereditária mais frequente encontram-se o cancro do cólon e o cancro da mama. Em ambos os casos são conhecidos os genes mais habitualmente alterados.

Assim, quando o médico suspeita de um cancro familiar, solicita um teste genético para confirmar o diagnóstico.

No caso de o teste ser feito a uma pessoa já com cancro, um resultado positivo tem consequências importantes. Primeiro, para o tratamento da própria pessoa (o modo de tratar um cancro hereditário pode ser distinto de tratar um cancro não hereditário).

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