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Nova esperança para as mulheres com cancro da mama

1 Março, 2005 0

DOCETAXEL COM DUAS NOVAS INDICAÇÕES DE TRATAMENTO
O cancro da mama é o cancro mais frequente na mulher em todo o mundo e é a primeira causa de morte entre os 40 e os 59 anos, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Mais de um milhão de novos casos são descobertos por ano mundialmente e mais de 400 mil mulheres morrem, anualmente. O risco de uma mulher desenvolver cancro da mama durante a vida é de cerca de 11%, o que corresponde a uma mulher em cada nove.

Na União Europeia, mais de 191 mil casos novos serão diagnosticados este ano e mais de 60 mil mulheres morrerão. Nos EUA, o cancro da mama representará, também, mais de 215 mil casos novos de cancro feminino e estima-se que 40 mil mulheres vão morrer.

Para fazer face a este cenário negativo, a Sanofi-Aventis acaba de obter, da Comissão Europeia, aprovação para duas novas indicações no tratamento desta patologia.

O medicamento docetaxel foi aprovado em associação com doxorrubicina e ciclofosfamida (protocolo TAC) no tratamento adjuvante (pós-cirurgia) do cancro da mama operável, com invasão ganglionar.

O docetaxel em associação com o trastuzumab foi aprovado no tratamento do cancro metastático com sobreexpressão de Her2. Her2 é uma proteína presente em certos tipos de cancro da mama. Um tumor com sobreexpressão de Her2 pode aumentar e propagar-se mais rapidamente.

Estas duas indicações baseiam-se nos resultados de dois grandes estudos clínicos randomizados internacionais. Nomeadamente, no tratamento adjuvante do cancro da mama, o estudo do Breast Cancer International Research Group (BCIRG), 001/TAX 316, demonstrou que um regime à base de docetaxel é mais eficaz que o tratamento de referência FAC (5-fluorouracil, doxorrubicina e ciclofosfamida), reduzindo em 28% o risco de recorrência e em 30% o risco de morte, após 55 meses de follow-up.

É o único medicamento da sua classe a demonstrar um benefício de sobrevivência desta ordem, independentemente do status hormonal do tumor.

O Dr. Jean-Paul Guastalla, do centro Léon Bérard (Lyon – França) e investigador do ensaio clínico, declarou que «estes resultados são portadores de esperança para todas as mulheres com cancro da mama com invasão ganglionar em fase precoce. Com docetaxel, cerca de nove em cada 10 mulheres estão vivas em cinco anos, o que representa 30% de redução do risco de morte».

Por sua vez, o Dr. Miguel Martin, membro do BCIRG, acrescenta que «a adição de docetaxel à nossa estratégia terapêutica salvará 18 mil vidas em cinco anos, em todo o mundo».

No tratamento do cancro da mama metastático com sobreexpressão Her2 (doença agressiva), o estudo internacional M77001 demonstrou que docetaxel em associação com trastuzumab melhorou significativamente a sobrevivência das doentes, para além de trazer uma melhoria significativa em todos os critérios de eficácia (taxa de respostas objectivas, tempo até à progressão, sobrevivência média) com um perfil de tolerância previsível.

O Prof. Michel Marty, investigador principal do estudo, salientou: «Trata-se de um avanço marcante para todos as doentes com cancro da mama que têm um prognóstico desfavorável. As mulheres atingidas com uma doença mais agressiva vão beneficiar, a partir de hoje, desta terapêutica inovadora.»

Impedir a multiplicação
das células cancerígenas

O docetaxel é o princípio activo de um medicamento da classe dos taxanos que inibe o processo de divisão celular através do «congelamento» do esqueleto interno da célula, impedindo a multiplicação das células cancerígenas e conduzindo-as à morte.

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