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Muitas doenças oculares podem ser eficazmente tratadas » Diagnóstico precoce ajuda terapêutica

15 Março, 2008 0

Muitas perdas de visão seriam evitadas se a consulta ao oftalmologista e os exames de diagnóstico fizessem parte dos hábitos de um número mais alargado de pessoas. Existem doenças do foro oftalmológico que, se não forem detectadas e tratadas atempadamente, afectam a visão de forma irreversível.

Nos casos em que, aparentemente, não existem quaisquer problemas de visão, já que os sintomas das doenças oculares nem sempre se manifestam em fases precoces, o ideal, como prevenção, seria as pessoas serem observadas pelo oftalmologista em três principais fases da vida: «em crianças, aos 5/6 anos, antes de entrarem para a escola primária; por volta dos 18 anos com um segundo exame e por volta dos 40 anos», aconselha o Dr. Artur Carvalho, oftalmologista de clínica privada, acrescentando: «Isto se não houver qualquer tipo de queixa ou incómodo entre estas idades.»

Quanto mais precocemente se detecta uma doença oftálmica, melhores serão os resultados em termos de prognóstico e de cura. Este especialista deixa o aviso: «Sempre que tiver algum sintoma invulgar na visão, não deixe para o ano que vem a ida ao oftalmologista, à espera que os sintomas desapareçam naturalmente. Vá ver o que se passa!»

São vários os exames oftalmológicos que permitem despistar e detectar as diversas patologias da visão.

«O primeiro exame que se faz é a fundoscopia – um exame ao fundo do olho», diz Artur Carvalho, que continua:

«Através deste exame, é possível detectar quase todas as doenças da visão. Uma vez encontrada e diagnosticada a patologia, vamos fazer exames mais específicos, como a perimetria computorizada, que é um exame do campo visual; a tonometria permite medir a tensão ocular que, no caso de estar alta, pode desencadear o glaucoma, ou uma angiografia fluoresceínica para averiguar a capacidade dos vasos da retina e perceber se estes estão em bom estado.»

Embora uma actuação terapêutica nas fases iniciais das doenças tenha mais probabilidade de ser bem sucedida, «é possível estagnar o processo de degradação da visão em qualquer uma das suas fases», como assegura este oftalmologista.

«Não se fazer nada é o mais grave, porque a doença vai avançar. Mesmo que já não seja possível recuperar a visão, que um dia se teve, é melhor ver pouco do que nada», acrescenta o especialista.
«Todas as doenças oculares são passíveis de tratamento», garante Artur Carvalho, «desde o vício de refracção, que é corrigido com a prescrição de óculos, até uma doença que exige a intervenção cirúrgica».

E, referindo-se ao caso particular da clínica onde trabalha, afirma: «São várias as respostas de que dispomos: desde o diagnóstico ao tratamento, seja ele a prescrição de óculos, de medicamentos, de tratamentos de Ortóptica, de exames complementares, tratamentos por laser ou mesmo cirurgias tradicionais.»

E continua: «Conseguimos dar resposta a todas as doenças, à excepção dos transplantes da córnea, porque esses fogem à nossa capacidade de resposta, uma vez que não temos acesso às córneas doadas.»

Glaucoma, retinopatia diabética e DMI: as doenças mais graves

Há duas vertentes nas doenças oftalmológicas. Numa delas, incluem-se as patologias que afectam a visão por problemas de refracção e de graduação, como o astigmatismo, a miopia ou a hipermetropia. «Estas situações são corrigidas com óculos, com lentes de contacto, ou com a cirurgia refractiva», afirma Artur Carvalho.

Na outra vertente, encontra-se um conjunto de doenças, que afectam a visão de uma forma que será irreversível se não forem tratadas eficazmente, ou se não forem evitadas. Entre estes casos, estão as três doenças que são as principais causas da perda de visão nos países industrializados: a DMI (degenerescência macular relacionada com a idade), o glaucoma que avança silenciosamente, e a retinopatia diabética, uma consequência da diabetes.

Ora, a detecção precoce e o controlo destas doenças são as soluções para se atenuarem os efeitos nefastos que elas podem registar.

Assim, no caso da retinopatia diabética, «se os níveis de glicemia forem mantidos dentro dos valores normais, a probabilidade de virem a surgir problemas de neurapatias periféricas ou doenças dos vasos, como o é a retinopatia diabética, reduz-se a quase zero, sendo esta doença perfeitamente evitável», acredita este especialista.

«Quanto ao glaucoma», continua, «o doente por ele afectado deve ser medicado e acompanhado, de modo a ser submetido ao tratamento cirúrgico na altura certa».

Já no caso da DMI, assegura Artur Carvalho, «conseguimos que ela não atinja um grau muito avançado através de uma alimentação saudável, evitando-se o tabaco (está comprovado que é uma das causas agravadoras da DMI, pois tem dezenas de princípios activos que fazem com que as células se degenerem mais rapidamente)».

Seja no caso do glaucoma, da DMI ou da diabetes ocular, é fundamental uma consulta periódica ao oftalmologista, para que estas doenças possam ser detectadas antes que comecem a provocar lesões na visão.

«Os nossos olhos são órgãos extremamente sensíveis e facilmente ficam alterados. A retina – que é o que nos permite ver – é composta por células muito frágeis e uma pequena lesão é suficiente para afectar significativamente a visão de uma pessoa», adverte este especialista.

Na perspectiva de Artur Carvalho, «o número de portugueses que procuram a primeira consulta para verem se têm os olhos saudáveis é normal, mas poderia aumentar». Até porque: «Não há nenhum país mais avançado do que Portugal a nível do tratamento de qualquer uma das doenças da visão e, nesta área, os investigadores portugueses estão à altura dos estrangeiros.»

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