Dentista pelo menos uma vez por ano - Médicos de Portugal

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Dentista pelo menos uma vez por ano

16 Março, 2008 0

«Não há que ter medo» é frase que procura dar confiança a quem ainda coloca dúvidas quando se fala de um check-up dentário.

«Há essa necessidade como noutras especialidades médicas, mas creio que neste caso até é bastante mais fácil», sublinha o Dr. Eduardo Barros Fernandes, médico dentista e professor universitário. Antes de mais, é preciso salientar que nem só os dentes, as gengivas e as cáries contam para um check-up deste género, embora constituam a parte fundamental, mas também a observação atenta dos tecidos moles da cavidade oral, «que é uma porta de entrada para vários agentes patológicos», lembra o médico. É ponto assente que, pelo menos, uma vez por ano é recomendável fazer uma visita ao dentista, independentemente da idade. Seja como for, a primeira consulta deve acontecer preferencialmente «desde que os primeiros dentes comecem a aparecer nas crianças», diz Eduardo Barros Fernandes, de modo a que sejam dados os primeiros passos «em medicina preventiva, designadamente para incentivar e informar os pais sobre a forma como devem ensinar os seus filhos a lidar com a higiene oral. Isso implica a escovagem correcta dos dentes», sustenta o dentista. Ensine o seu filho a escovar os dentes É, sobretudo, a partir dos 3 a 4 anos que estas medidas devem começar a ganhar força no comportamento diário da crian­ça. A ideia é evitar que a cárie se instale nos dentes de leite, que são, por assim dizer, «a cama» dos dentes definitivos. Mas nessa altura é preciso ter calma. Devem-se cumprir as regras de higiene, mas sem traumatismos. O pai e a mãe devem colabo­rar na escovagem correcta, mas ao mesmo tempo acautelar a ingestão de flúor. «Primeiro, porque sendo impossível evitar que a criança engula a pasta de dentes, que tem um sabor extremamente agradá­vel, logo aí começa a ingestão do flúor. Daí que os suplementos de flúor possam ser desnecessários e até prejudiciais, porque, além das pastas dentífricas, as águas e os alimentos já contêm aquela substância em quantidades mais do que suficientes. Não queremos que nos apareçam cáries, mas também não queremos que haja fluorose para tratar, que é, por vezes, bem pior», explica o médico dentista.

Selar as fissuras nos dentes defini­tivos Nas consultas de rotina para crianças são aplicados selantes de fissuras dentá­rias não só nos dentes de leite, mas, principalmente, nos dentes definitivos. É outra medida preventiva, porque esses sulcos são normalmente óptimos locais para o alojamento das bactérias e de escasso alcance para a escova, podendo dar início ao desenvolvimento de cáries. «A selagem dessas fissuras nos dentes definitivos permite facilitar a escovagem, eliminando os pontos onde as bactérias podem começar a fazer estragos», salienta Eduardo Barros Fernandes. A introdução dos selantes tem um significado acentuado aos seis anos, quando nascem os primeiros dentes definitivos: os primeiros molares. O médico dentista admite que este «é um momento importante e que implica não haver distracções por parte dos pais, já que uma cárie irresolúvel num destes dentes, que pode em casos extremos levar à sua extracção, tem efeitos muito negativos (infelizmente as mães, por falta de informação, não se apercebem que já é um dente definitivo). Aquele dente não volta a nascer e, em consequência, fica um espaço vazio que pode vir a originar lesões, por exemplo, na articulação temporo-mandibular e, até mesmo, a sua destruição». À falta de dentes com repercussões na articulação têmporo-mandibular, podem estar, a longo prazo, igualmente associadas vertigens e perturbações na visão. Já para não falar de falta de apoio à mastigação dos alimentos, das inevitáveis questões da estética e da fonética com graves problemas a nível social. Há que realizar, pelo menos, uma vez por ano um exame geral da cavidade oral que inclui os dentes, as gengivas, as mucosas e a própria língua. As razões que justificam esta periodicidade? «A cárie é um processo lento, mas, para que não cheguemos tarde, é um intervalo minimamente razoável para que o tratamento possa ser eficaz. No entanto, depende de cada indivíduo», esclarece o especialista. Por outro lado, não é conveniente deixar avançar o estabelecimento de tártaro, que «a dado ponto só pode mesmo ser remo­vido no consultório», assinala Eduardo Barros Fernandes. É particularmente importante recorrer ao check-up dentário no período entre os 13 e os 17 anos. Até porque essa é uma fase «em que há algum desleixo próprio da idade. A pré-adolescência é sempre crítica», avisa o médico. A própria evolução da sociedade portuguesa fez com que a saúde oral se tornasse num bem bastante mais acessível, apesar das carências que são constantemente denunciadas. Há mais pessoas com segu­ros de saúde, há programas de saúde escolar que preenchem algumas lacunas na saúde oral dos mais novos. No entanto, há classes mais desfavorecidas que não estão englobadas em nenhum destes aspectos.

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