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Miopia: à distância do olhar

2 Fevereiro, 2007 0

Provavelmente já teve de franzir os olhos ou fazer um esforço para focar algum objecto ou alguém ao longe. Se sofre de miopia, saiba quais os novos métodos de correcção e em que consistem. Quem já recorreu a este tipo de intervenção cirúrgica não hesita em afirmar que «foi uma maravilha».

Susana Pires, de 31 anos, decidiu fazer uma intervenção cirúrgica para resolver a sua miopia. As 12 dioptrias do olho direito e as duas que tinha no esquerdo tornaram-se demasiado incómodas.

«Já não via nada, mesmo com lentes. Tinha dificuldade em ler, no cinema, mesmo a ver televisão. Se estivesse a mais de dois metros, já era complicado ver um filme com legendas. Mas foi quando decidi tirar a carta de condução que senti dificuldades maiores», lembra Susana Pires.

Foi a experiência do cunhado que a convenceu:

«No início tinha algum receio. Tinha aquela ideia de uma intervenção complicada, com um período muito grande de recuperação. Mas o meu cunhado fez uma cirurgia de correcção de miopia e correu bastante bem.»

Depois de submetida a vários exames, de modo a garantir que não iria haver complicações ou que as partes constituintes do olho, como a córnea, iriam aguentar o tratamento, foi-lhe dada luz verde para se submeter à cirurgia.

Susana sofreu dois tipos de intervenções diferentes, uma vez que tinha diferentes graus de miopia em cada um dos olhos. No olho direito tinha 12 dioptrias e no esquerdo duas. Tinha ainda duas de astigmatismo. No olho direito, por causa do elevado grau de miopia, Susana fez uma intervenção de lente intra-ocular, mais indicada para um grande número de dioptrias, e no direito foi utilizada a cirurgia laser.

«Num dia fiz a cirurgia intra-ocular e no outro a laser. Os resultados foram quase imediatos. A primeira intervenção demorou 15 minutos, a segunda foi coisa para, no máximo, 10 minutos. E a recuperação foi muito rápida. Passadas oito horas já comecei a ver. Foi realmente rápido e nada complicado», afirma Susana, salientando que «foi uma mudança da noite para o dia».

As dificuldades do dia-a-dia desapareceram. Já não precisa de óculos, nem franze os olhos para ler ou ver um objecto a mais de dois metros de distância.

«Foi uma maravilha», remata.

Os tratamentos
Segundo o Dr. João Pinheiro, oftalmologista, médico cirurgião e director clínico da Microcular, Centro de Microcirurgia e Diagnóstico, «a miopia é um defeito da visão, que consiste numa deficiência da forma do olho ser demasiado curta ou ter uma córnea demasiado curva. Na miopia, a focagem dos objectos faz-se à frente da retina, o que provoca a visão desfocada. Este defeito na visão não tem regressão, não podendo ser travada através do uso de óculos ou de lentes».

Os tratamentos existentes vão desde os clássicos óculos às lentes de contacto, que corrigem a miopia, mas os únicos métodos capazes de eliminá-la são mesmo as intervenções cirúrgicas.

Há vários tipos de intervenções, que se adequam a cada situação, bem como à gravidade da miopia, medida em dioptrias. No final dos anos 80, começou a ser praticada, em Portugal, a cirurgia radiária, que é utilizada em miopias com menos de cinco dioptrias, e um outro tipo de intervenção, que consiste na introdução de uma lente permanente no olho, a cirurgia de lente intra-ocular.

O que acontece nesta intervenção é que o médico vai introduzir uma lente, «como se fosse uma lente de contacto em miniatura, no olho», diz o oftalmologista.

A primeira (radiária) deixou de ser utilizada quando apareceu a intervenção a laser, no início dos anos 90. O laser corrige a córnea, através do desgaste da sua superfície. No entanto, a cirurgia a laser pode não ser indicada em todos os pacientes.

«É muito raro fazermos cirurgias a laser em casos que apresentem 10 ou 11 dioptrias. Nestes casos, é mais aconselhável a cirurgia de lente intra-ocular. Por outro lado, pessoas que têm a córnea pouco espessa não suportam o desgaste provocado pelo laser, pelo que nestes casos também aconselho a intervenção intra-ocular. Depende de caso para caso», afirma o médico cirurgião.

Todavia, a maioria dos casos com menos de 10 dioptrias é passível de ser solucionada através do laser.

Mas João Pinheiro garante que «tanto a intervenção intra-ocular como a executada por laser asseguram um índice de sucesso muito alto, situando-se entre os 87 e os 90%. No entanto, também há casos em que a eficácia é menor, o que significa que depois da cirurgia o doente tem de fazer recurso dos óculos ou lentes de contacto, embora com uma graduação menor. Estes casos acontecem, normalmente, em pessoas que têm um grau elevado de miopia, em que a cirurgia não consegue erradicar completamente a deficiência na visão.

O especialista afirma, também, que qualquer que seja o tipo de cirurgia, tanto o tempo de intervenção como o de recuperação é muito diminuto.

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