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Doença de Alzheimer » 800 mil novos casos/ano na Europa

3 Fevereiro, 2007 0

A doença de Alzheimer (DA) é um processo degenerativo, que pode ser apresentado em formas esporádicas ou familiares. Saiba mais sobre esta patologia, ainda sem cura e cujos tratamentos podem não estar ao alcance de todos os doentes.

O que é a doença de Alzheimer?

É uma doença com causas desconhecidas que afecta o cérebro. De uma forma gradual, perdem-se capacidades mentais e físicas.

Normalmente, começa a partir dos 50 anos mas, por vezes, pode surgir numa idade mais precoce ou mais avançada. ­ A sintomatologia varia de pessoa para pessoa e tende a piorar com o avançar da idade.

De acordo com o European Alzheimer’s Disease Consortium, todos os anos são descobertos 800 mil novos casos de DA, na Europa. Em Portugal, a Associação Portuguesa de Familiares e Amigos de Doentes de Alzheimer (APFADA) estima que existam aproximadamente 70 mil indivíduos com esta patologia.

Quais os sintomas?

A alteração da memória é a primeira manifestação, bem como a alteração da atenção, do humor e dos comportamentos. Os doentes começam a ter perturbações da memória recente, não sabem o que fizeram há pouco tempo e têm algumas dificuldades de nomeação.

Esquecem-se do nome dos familiares, dos objectos e dos últimos acontecimentos. Apresentam também uma certa desorientação e confusão, podendo trocar o local dos objectos, esquecer datas importantes, não reconhecer sítios ou repetir a mesma coisa várias vezes. Podem, ainda, ter sentimentos de desconfiança e significativas alte­rações de humor.

Como se dá o agravamento?

Trata-se de um processo degenerativo, logo evolui de forma progressiva. Ou seja, a sintomatologia anteriormente descrita agrava-se e surgem outras alterações, nomeadamente ao nível da linguagem, da marcha e da execução de tarefas. Gradualmente, dá-se a degradação intelectual e, numa fase posterior, física, até ao estádio final, em que o doente fica dependente dos outros.

Cada caso é um caso, mas por ter uma evolução progressiva inerente significa que o agravamento dos sintomas acontece com o passar dos anos. Por exemplo, a possibilidade do doente atingir a demência é mais elevada aos 80 anos que aos 50. Há, ainda, uma associação entre o agravamento da DA e o nível intelectual, isto é, um licenciado leva mais tempo a ficar demente que um iletrado.

Todavia, antes dos doentes ficarem dementes e fisicamente inválidos, apresentam diversos sintomas. Deixam de reconhecer familiares e amigos, bem como de se relacionar socialmente, até porque têm dificuldade em falar e raciocinar.

Além do mais, esquecem como se fazem actos tão simples como andar, lavar-se, comer, vestir-se. Podem ficar deprimidos, apáticos, agitados ou agressivos, ter alucinações, perturbações no sono e comportamentos nada habituais.

Como é feito o diagnóstico?

A doença é correctamente diagnosticada através de um exame ao tecido cerebral, que é obtido por biopsia ou necropsia.

Quais os tratamentos?

É impossível fazer algo que previna o seu aparecimento. Também é inexistente uma cura para a DA. Existe, contudo, uma grande variedade de medicamentos, que actuam a nível cerebral e que atrasam a evolução da doença.

Assim, consoante cada situação, os especialistas prescrevem uma terapêutica, capaz de devolver qualidade de vida ao doente e aos familiares, que são bastante afectados devido à responsabilidade em cuidar do doente e à sobrecarga emocional a que estão sujeitos.

Acontece que os custos dos fármacos são avultados. Desta forma, as famílias com escassos recursos económicos poderão correr o risco de não poder usufruir da medicação e, consequentemente, ver a pessoa afectada sofrer o agravamento da doença de Alzheimer mais rapidamente.
Além da terapêutica farmacológica, é importante que os familiares estimulem a memória e as capacidades intelectuais dos doentes. Podem, por exemplo, incentivá-los a continuar a desenvolver tarefas como ler ou escrever.

A descoberta da doença

A doença de Alzheimer foi descrita pela primeira vez em 1906 pelo psiquiatra Dr. Alois Alzheimer, nascido em 1864 na cidade alemã Marktbreit.

Ao fazer uma autópsia descobriu no cérebro um tipo de lesões que nunca tinha visto antes. Os neurónios apresentavam uma atrofia em vários locais e estavam repletos de uma placa estranha e retorcida, estando enroscadas umas nas outras. Nesta doença, as células cerebrais começam a morrer e formam cicatrizes em forma de estruturas microscópicas que se designam de Placas Senis. Essas placas, aliadas à morte dos neurónios, vão gra­dualmente impedindo o cérebro de funcionar convenientemente.

Alois Alzheimer sofreu uma grave infecção cardíaca em 1913 e dois anos depois veio a falecer de insuficiência cardíaca e falência renal, na cidade de Breslau, Alemanha.

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