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A DOENÇA – MIELOMA MÚLTIPLO
Os progressos significativos na compreensão e tratamento das doenças oncológicas têm permitido a redução da mortalidade associada e a optimização dos tratamentos disponíveis. No entanto, para alguns tipos de cancro, como o Mieloma Múltiplo, o prognóstico permanece adverso.
O Mieloma Múltiplo é um tumor que surge na medula óssea quando ocorrem mutações nos plasmócitos (células especializadas responsáveis pela produção de anticorpos, essenciais na defesa do organismo contra doenças e infecções).
É face à multiplicação excessiva e descontrolada destas células na medula óssea (tecido que se encontra no interior dos ossos e onde se formam as células sanguíneas) que estamos perante o Mieloma Múltiplo.
O Mieloma Múltiplo é uma doença hematológica maligna e prende-se, sobretudo, com o sistema imunológico, ou seja, com as funções de defesa do nosso organismo. A doença causa alterações severas nas respostas imunológicas, pois corresponde a uma multiplicação anormal de plasmócitos que produzem anticorpos defeituosos, sem actividade protectora crucial. Para além disso, as consequência na estrutura óssea são evidentes – o osso enfraquecido provoca no doente dores intensas e torna-o mais susceptível a fracturas.
Apesar da multiplicidade de teorias, a causa do Mieloma Múltiplo é desconhecida, sendo difícil determinar quais os factores de risco mais importantes para o seu desenvolvimento. Contudo, é possível identificar alguns factores de risco nomeadamente a idade, a exposição a determinados produtos químicos, vírus, e alterações do sistema imunitário.
Os números disponíveis denunciam o impacto devastador do Mieloma Múltiplo. Em 2002, os estudos registam cerca de 74 mil casos, com mais de 57 mil mortes a nível mundial. Segundo a mesma fonte, na Europa ocorreram aproximadamente 19 mil casos, que se traduzem em 15 mil mortes.3
Apenas 30 por cento dos doentes com Mieloma Múltiplo sobrevivem mais de cinco anos, sendo um dos cancros com menor taxa de sobrevivência a longo termo.1
DIAGNÓSTICO TARDIO
Nas etapas inicias da doença é frequente não surgirem sintomas.
Quando surgem, não são específicos e podem ser atribuídos a outras causas e doenças. Esta é uma das maiores dificuldades no diagnóstico do Mieloma Múltiplo. A fadiga, a maior propensão às infecções e as dores ósseas (sintomas mais frequentes) são, muitas vezes, atribuídos a outras circunstâncias e, consequentemente, atrasam o diagnóstico. O verdadeiro desafio surge quando o paciente não apresenta qualquer sintoma, a não ser num estado já avançado, o que dificulta o tratamento.
Embora o Mieloma Múltiplo possa ser tratado, não existe cura.
Referências:
1. American Cancer Society website
http://www.cancer.org/docroot/cri/content/cri_2_4_1x_what_is_multiple_myeloma_30.asp.
2. International Agency for Research on Cancer, World Health Organisation; Ferlay J, Bray F, Pisani, P and Parkin DM. Globocan 2000:
Cancer Incidence, Mortality and Prevalence Worldwide, Version 1.0. IARC CancerBase No. 5, Lyon IARCPress, 2001; website:
www-dep.iarc.fr/dataava/interp.htm.
3. International Myeloma Foundation. Multiple Myeloma:
Cancer of the bone marrow – Patient Handbook. 2002/2003 eds.

