Taxa de sucesso dos implantes dentários ronda os 98%
Já começa a ser cada vez mais raro encontrar pessoas desdentadas. Afinal, existem próteses que substituem os dentes perdidos. Porém, há soluções ainda mais perfeitas que as chamadas «dentaduras postiças».
Os implantes dentários são uma opção para indivíduos que não conseguem usar próteses removíveis, ou que não gostam de ver os ganchos destas a aparecer entre os dentes. Há também quem não consiga usar próteses totais inferiores, principalmente a partir dos 50 anos, devido à constante mobilidade na boca.
Além do mais, como é sabido, a imagem transmitida para os demais assume uma maior importância. Para as perdas unitárias de dentes, os implantes são eficazes para colmatar tal falta sem que se note que o dente, afinal, é falso.
Apesar de não serem comparticipados pelo Plano Nacional de Saúde e de terem um custo um tanto ou quanto avultado, a procura de implantes dentários por parte dos portugueses tem aumentado cerca de 20%, todos os anos.
Substitutos eficazes Os implantes dentários são estruturas cónicas, em titânio puro, que substituem as raízes dos dentes naturais extraídos, sobre os quais se colocam coroas.
«Ao longo dos anos os implantes têm evoluído e, actualmente, simulam muito bem as raízes dos dentes», diz o Dr. Fernando Almeida, médico dentista e investigador de Implantologia da Universidade de Gotemburgo, Suécia.
«Têm uma forma cónica e são ligeiramente rosqueadas para entrarem dentro da gengiva», esclarece. Segundo explica Fernando Almeida, «não é possível colocar o implante e imediatamente a coroa sobre esse implante.
O tempo de espera, entre as duas fases, depende da densidade do osso e da eventual necessidade de enxerto. Há casos em que temos de esperar três a seis meses. Mas quando a densidade do osso é boa podemos colocar os implantes e, no mesmo dia, uma prótese fixa sobre esses implantes».
O paciente é, deste modo, submetido a quatro sessões antes de ter o dente substituto definitivo. Uma em que se coloca o implante dentro da gengiva e outra para fazer o molde. Na terceira sessão é feita a prova e na quarta coloca-se a coroa sobre o implante.
São estas as fases da colocação de um implante e respectiva coroa.
Poderá, no entanto, haver a necessidade de mais sessões. Tudo depende da densidade óssea do doente.
«O processo é pouco doloroso, mas nos primeiros dois dias a dor pode ser controlada através de medicamentos», refere o médico dentista, acrescentando:
«Cerca de 80% dos doentes que colocam implantes sentem o mesmo tipo de dor da extracção ou tratamento de um dente. A menor tolerância ocorre na ordem dos 20%, entre as pessoas muito sensíveis.»
Insucesso do implante «Após finalização do trabalho, se não ocorrerem problemas durante os primeiros dois meses, aproximadamente, esse implante tem fortes probabilidades de ficar estável entre 15 a 20 anos», garante Fernando Almeida, salientando que «a perda óssea máxima que poderá acontecer, por ano, é de 0,1 milímetros».
Todavia, existe a remota possibilidade do implante não ser aceite pelo organismo.
«O insucesso pode acontecer por uma reacção do hospedeiro, através de uma situação inflamatória, sendo preciso extrair essa peça», indica o nosso interlocutor.
Contudo, o especialista assegura que «a taxa de sucesso dos implantes ronda os 98%. Só há insucesso quando a técnica cirúrgica não foi bem feita, se o osso for muito frágil ou quando a densidade do osso é pouco densa, não permitindo uma boa estabilidade inicial do implante».
Ao contrário do que acontece com a maioria das pessoas, a taxa de sucesso dos fumadores é de 85%. «A nicotina, por ser aspirada pela boca, pode prejudicar a cicatrização e, por ser absorvida pelos pulmões e passar pela circulação sanguínea, dificultar a integração do implante no osso», explica Fernando Almeida.
Porém, o insucesso entre os fumadores depende do número de cigarros que fumam. É considerado factor negativo se se fumar mais de 10 cigarros.
Resta acrescentar que quando acontece o insucesso o implante simplesmente fica móvel e cai, não havendo nenhuma reacção que provoque doença.
Se o médico perceber que o implante está móvel, retira-o e, normalmente, coloca um novo nesse mesmo dia e no mesmo local para o doente não perder densidade óssea.
Processo quase indolor
Os implantes dentários são estruturas cónicas, em titânio puro, que substituem as raízes dos dentes naturais extraídos, sobre os quais se colocam coroas.
Especialização em implantes «Em Portugal, praticamente não existe formação em Implantologia no currículo dos cursos superiores de Medicina Dentária, sendo apenas leccionadas aulas introdutórias», afirma Fernando Almeida, explicando:
«É uma especialidade muito recente e, além disso, a aprovação de novas matérias para incluir nos currículos escolares tem um processo complicado e moroso, que não acompanha a evolução técnica.»
Segundo o nosso interlocutor, «por causa dessa necessidade, fui “pressionado” a dar formação particular nesta área pela principal líder mundial em implantes».
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