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Maioritariamente do sexo feminino » Osteoporose afecta meio milhão de indivíduos

1 Maio, 2005 0

É, por vezes, uma doença silenciosa que só se revela depois de acontecer a primeira fractura osteoporótica. Algumas fracturas podem conduzir à morte e, no caso da vertebral, que é irreversível, o doente nunca fica bom. Prevenir é, por isso, a palavra de ordem e começa com hábitos de vida saudáveis.

Incluída no grupo das grandes patologias sociais, pela Organização Mundial de Saúde, a osteoporose é uma doença crónica que se caracteriza por uma afecção óssea através da diminuição da resistência do osso.

Em Portugal, a incidência desta patologia é semelhante à registada nos restantes países ocidentais, estimando-se que existam meio milhão de indivíduos afectados, sendo maioritariamente do sexo feminino.

Actualmente, há cada vez mais homens com o diagnóstico de osteoporose, uma vez que, para além dos métodos de diagnóstico serem mais apurados, «o homem latino tem maus hábitos de vida, ou seja, leva uma vida muito sedentária, ingere poucos alimentos ricos em cálcio e tem um consumo de álcool quase excessivo», explica a Dr.ª Maria Eugénia Simões, do Instituto Português de Reumatologia.

No entanto, as mulheres continuam a ser o maior grupo afectado pela osteoporose, numa proporção de um homem para cada quatro mulheres.

Quem sofre de osteoporose tem uma resistência óssea reduzida, o que implica uma predisposição maior para o aparecimento de fracturas osteoporóticas. Na resistência há duas vaiáveis muito importantes: a quantidade e a qualidade de massa óssea.

«Relativamente à quantidade, nós conseguimos medir através do exame específico, designado por densitometria óssea. A qualidade diz respeito a conceitos mais complexos, relacionados com a arquitectura óssea e a conectividade entre as estruturas ósseas que, apesar de serem parâmetros muito importantes, não conseguem ser analisados», esclarece a reumatologista.

A fase de crescimento da massa óssea atinge o seu expoente máximo entre a segunda e a terceira década de vida, seguindo-se, posteriormente, uma fase de decréscimo da massa óssea que, na mulher, é mais abrupto precisamente pela menopausa, isto é, pela privação de estrogéneos. No homem, após a terceira década de vida, o declínio é gradual.

Mas como poderemos interferir neste processo natural de redução da massa óssea?

Maria Eugénia Simões explica-nos que isso é possível de duas maneiras.

«Devemos tentar aumentar o tal capital ósseo que atingimos entre a segunda e a terceira décadas de vida, através de um estilo de vida saudável promovido pelo exercício físico para combater o sedentarismo, por uma boa ingestão de leite e derivados, evitando o consumo excessivo de café e álcool e não fumando. Por outro lado, e a partir dessa terceira década em que começamos a perder massa óssea, é preciso minimizar essa perda, evitando esses comportamentos de risco e, ao mesmo tempo, evitar alguns medicamentos como corticóides e alguns antiácidos, que aceleram esse desgaste. No entanto, quando se atinge determinado nível, a osteoporose deve ser tratada com alternativas farmacológicas.»

Fracturas osteoporóticas

Um dos principais riscos da osteoporose é o aparecimento de fracturas osteoporóticas. A osteoporose, muitas vezes, decorre de forma silenciosa até ocorrer a primeira fractura. Por norma, as fracturas mais vulgares são a vertebral, do punho e do colo do fémur.

«Qualquer uma destas fracturas vai acarretar algum tempo de imobilização, perda da qualidade de vida, alguma incapacidade e, a longo prazo, também conduz à mortalidade. O aumento de mortalidade advém tanto da fractura vertebral como do colo do fémur por problemas secundários que podem surgir. Na fractura vertebral há uma perda progressiva da estatura e uma deformação do tronco, para além de alterações da mecânica respiratória, conduzindo a cansaço para pequenos e médios esforços. Por outro lado, é uma fractura irreversível, o que significa que o doente nunca fica bom. A fractura do colo do fémur aumenta o risco de tromboembolismo pulmonar que é potencialmente mortal.»

Depois da primeira fractura acontecer há um risco muito grande de surgirem outras futuras fracturas. É, por isso, importante assegurar a correcção dos factores de risco da vida diária, assegurar que todos os doentes tenham um bom aporte em cálcio e depois complementar com uma terapêutica.

«Neste momento temos dois grandes grupos terapêuticos. Por um lado, os medicamentos que vão impedir a perda de massa óssea, actuando ao nível da reabsorção óssea e por isso designados de anti–reabsortivos, onde se inclui o raloxifeno, a terapêutica hormonal de substituição (THS) e os bifosfonatos. No outro grupo temos os medicamentos osteoformadores que, como o próprio nome indica, vão aumentar a formação de osso novo, como é o caso da teriparatida», salienta Maria Eugénia Simões.

Ambos os grupos estão indicados para o tratamento da osteoporose e para a prevenção de novas fracturas. Em termos de prevenção da osteoporose, indica-se o raloxifeno e a THS que, segundo a reumatologista, «deve ser iniciada em doentes com factores de risco e que tenham uma baixa massa óssea, que pode ser avaliada pela densitometria. Deve-se sempre conjugar a baixa massa óssea com a presença ou não de factores de risco. Doentes com baixo índice corporal – baixa estatura e baixo peso – apresentam também um risco considerável que, neste caso, se prende com factores de ordem genética importantes para o determinismo do capital ósseo».
A melhor atitude é, pois, a prevenção e evitar que atrás de uma fractura surja outra e depois mais outra, que impedem a qualidade de vida por dores constantes e deformações. No fim, e depois das contas feitas, a prevenção fica mais barata do que os tratamentos…

Evolução
da osteoporose

Aos 50 anos, a mulher na menopausa, com sintomatologia vasomotora, apresenta ainda uma coluna vertebral normal.

Porém, e com o evoluir progressivo da osteoporose, aumenta-se o risco de fractura vertebral e, aos 75 anos, a mulher apresenta a designada coluna vertebral cifótica.

Se ocorrer uma fractura vertebral, as consequências estão, muitas vezes, relacionadas com a perda progressiva da estatura e uma deformação do tronco, para além de outras alterações.

Teste o seu risco
de osteoporose

Se disser SIM a uma destas respostas, poderá ser um bom candidato(a) para fazer uma densitometria.
1. Algum dos seus pais partiu a anca (colo do fémur) após uma pequena queda?
2. Já partiu algum osso após uma queda sem importância?
3. Alguma vez tomou corticosteróides (cortisona, prednisona, etc…) durante mais de três meses?
4. Acha que perdeu mais de 3 cm de altura?
5. Bebe em demasia com frequência (excede os limites normais de ingestão de álcool)?
6. Fuma mais de 20 cigarros por dia?
7. Sofre frequentemente de diarreia (causada por problemas como a doença celíaca ou a doença de Crohn)?

Só para mulheres

8. Entrou na menopausa antes dos 45 anos?
9. Antes da menopausa esteve sem menstruar por um período superior a 12 meses ou mais (por outro motivo que não gravidez)?

Só para homens

10. Alguma vez sofreu de impotência, falta de libido ou outros sintomas relacionados com baixo nível de testosterona?

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