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Há doenças oftalmológicas com maior incidência a partir dos 65 anos » Perda progressiva da visão não deve ser descurada

28 Fevereiro, 2007 0

É facto consumado que com a idade vamos perdendo a qualidade de visão, quer por alterações metabólicas do nosso organismo, quer pelo envelhecimento progressivo do nosso próprio corpo.

Começamos a ter dificuldade em conduzir de noite, ou de dia, dificuldade na leitura e de ver ao perto, dificuldade em descer as escadas ou movimentarmo-nos em ambientes estranhos, temos medo de cair ou podemos ver da mesma forma com ou sem óculos…

Os factores que alteram a visão no idoso são variados. Uns inerentes às doenças sistémicas mais frequentes neste grupo etário e outros à patologia oftalmológica com maior incidência após os 65 anos de idade.

«A hipertensão arterial, diabetes mellitus, hipercolesterolemia, doença coronária e as broncopatias são factores de risco importantes nas neuropatias ópticas e isquémicas, oclusões vasculares retinianas (venosas ou arteriais), e retinopatias, que conduzem a graus variáveis de defcit visual», diz a Dr.ª Helena Spohr, oftalmologista do Hospital de Egas Moniz.

Para além disso, há as patologias oftalmológicas frequentes no idoso, tais como as cataratas, degenerescências maculares e o glaucoma, que devem ser detectadas precocemente para a prevenção, vigilância e tratamento deste tipo de situações.

No que toca às cataratas, «estas manifestam-se por uma perda habitualmente progressiva da visão relacionada com alteração do cristalino, que perde a transparência com a idade», esclarece Helena Spohr.

É precisamente o processo degenerativo associado à idade a causa mais frequente de catarata senil, ou seja, o idoso passa a ver como se estivesse um dia de nevoeiro distinguindo com dificuldade os contornos e as cores vivas. Mas, a mesma oftalmologista frisa que «tem resolução cirúrgica e o timing da cirurgia depende muito da actividade do idoso e do seu grau de exigência de visão».

Já o glaucoma, «uma neuropatia óptica progressiva associada a alterações morfológicas e específicas como a perda de células ganglionares retinianas e axónios», segundo a especialista, «evolui, na maioria dos casos, com lentidão, sem queixas, e está habitualmente associado a um aumento de pressão ocular. Associa-se, no fundo, a uma perda progressiva do campo visual periférico podendo nos casos muito graves e avançados resumir-se a uma visão praticamente tubular».

Viver mais anos com mais qualidade

O idoso ao ter dificuldade na visão perde o interesse por tudo o que o rodeia levando a um certo grau de isolamento, que se vai acentuando com o passar do tempo.

«A esperança média de vida está presentemente alargada para os 70 a 80 anos, pelo que devemos tentar melhorar a qualidade de vida neste grupo etário. E isso passa, nomeadamente, pelo cumprimento das normas terapêuticas a seguir. É, por exemplo, fundamental que o idoso venha sempre acompanhado à consulta por um familiar próximo para o auxiliar nessa função», concretiza a nossa interlocutora.

As degenerescências maculares ligadas à idade, por seu lado, são situações muito incapacitantes no idoso, interferindo essencialmente com a visão central, sendo que os indivíduos acabam por ver as imagens distorcidas.

Explica Helena Spohr que «alterações na mácula (área central da retina), algumas clinicamente indetectáveis, e alterações nas restantes camadas da retina, epitélio pigmentar, membrana Bruchs e cariocapilares, provocam degenerescências atróficas e exsudativas».

Nos países desenvolvidos é uma das maiores causas de incapacidade visual.

A oftalmologista realça: «Os factores de risco mais frequentes como a idade, história familiar, raça negra, hábitos tabágicos, miopia, diabetes e traumatismos, são fundamentais na orientação clínica e diagnóstico adequado.»

O prognóstico e a preservação da visão central dependem também da detecção precoce destas situações, através do exame oftalmológico minucioso e monitorização da visão central. O tratamento passa pela «ingestão de suplementos (zinco, selénio e vitaminas), fotocoagulação com lazer e terapêutica fotodinâmica», conclui a oftalmologista.

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