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ÚLCERA PÉPTICA – ÚLCERA DO ESTÔMAGO E ÚLCERA DO DUODENO

26 Janeiro, 2007 0

Como se faz o diagnóstico ?

A endoscopia tornou-se o método de eleição para demonstrar a existência da úlcera. A radiologia do estômago e duodeno mesmo com duplo contraste é hoje uma técnica pouco utilizada. Admite-se que a endoscopia possa fazer um diagnóstico correcto em mais de 95% das úlceras.

A úlcera do estômago deve sempre ser biopsada para se ter a certeza que não é um cancro do estômago ulcerado. Essa certeza deve ser confirmada com nova endoscopia e biopsia 4 a 6 semanas depois. Estes cuidados não se justificam para a úlcera do duodeno que nunca é um cancro ulcerado.

Como se trata a úlcera do estômago e do duodeno?

Não tem indicação nenhuma dieta com restrição deste ou aquele alimento, nem se deve utilizar o leite como tratamento. Esta prática seguida durante mais de um século continuou a ser praticada, durante mais de 50 anos, depois de se ter demonstrado a sua inutilidade.

Nas úlceras associadas ao Helicobacter pylori o médico faz o tratamento durante 7 dias com um medicamento anti-secretor ( que inibe a secreção de ácido no estômago ), associado a dois antibióticos ( terapêutica tripla ). Nas úlceras sem Helicobacter pylori, associadas aos anti-inflamatórios o médico emprega os anti-secretores durante 4 a 8 semanas e depois, como prevenção, sempre que forem utilizados os anti-inflamatórios.

O tratamento cirúrgico da úlcera do estômago e do duodeno que, durante um século – 1870 a 1970 – foi considerado o tratamento de eleição, perdeu peso quando na década de 70 apareceram os primeiros anti-secretores, os antagonistas dos receptores H2 ( H2RA ) e reduziu-se quase a zero, com a descoberta do Helicobacter pylori e do seu tratamento. O tratamento cirúrgico da úlcera é hoje raro e, apenas reservado, a algumas complicações, alguns casos de hemorragia, perfuração e estenose.

A úlcera do estômago pode transformar-se em cancro?

O que pode acontecer é, o cancro manifestar-se com o aspecto de úlcera benigna. Por isso a úlcera do estômago é sempre biopsada para se ter a certeza de que não se trata dum cancro.

O médico que faz a endoscopia, quando observa uma úlcera, quase sempre pode, pelo aspecto da base e dos bordos da úlcera dizer se a úlcera é benigna ou se é um cancro mas, para ter a certeza absoluta, colhe alguns fragmentos da úlcera para serem observados ao microscópio por um médico patologista. E para não haver nenhum engano recomenda-se fazer nova endoscopia 4 a 6 semanas depois.

Admitiu-se durante algum tempo que a úlcera do estômago podia transformar-se em cancro. Depois defendeu-se que a úlcera benigna nunca malignizava. Seria sempre benigna. Hoje admite-se que um número muito reduzido de úlceras benignas do estômago poderão transformar-se um cancros do estômago.

Este problema da malignidade da úlcera do estômago não se coloca a propósito da úlcera do duodeno. Por esse motivo não se biopsam as úlceras do duodeno.

Prevenção da Úlcera do Estômago e Duodeno:

Conhecemos mal a epidemiologia do Helicobacter pylori, e não existe nenhuma vacina, por isso, não é possível fazer recomendações.

Os anti-inflamatórios não esteróides ( AINE ) podem ser inevitáveis, mas muitas vezes o médico pode substitui-los por analgésicos que não têm os seus inconvenientes. Os médicos dispõem hoje de novos analgésicos anti-inflamatórios inibidores selectivos da COX-2, recentemente aparecidos, e que podem ter algumas vantagens sobre os AINE clássicos.

A cura definitiva da úlcera causada pelo H. pylori irá, nos próximos anos, diminuir o número de recorrências da úlcera e, a substituição dos clássicos AINE pelos novos inibidores da COX2 nas pessoas, com dores reumáticas e outras dores, irá reduzir acentuadamente as complicações da úlcera do duodeno e do estômago: hemorragia, perfuração e oclusão.

O panorama ( prevalência, história natural e complicações ) da úlcera do estômago e da úlcera do duodeno, que ainda há poucos anos atingiam 10 % – 15% da população do mundo ocidental, está a mudar.

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