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Fígado » Comentários sucintos sobre a transplantação hepática

19 Dezembro, 2007 0

Quase todas as doenças hepáticas culminam, com o passar dos anos, numa cirrose. A transplantação de fígado representa a única esperança de vida para doentes afectados por hepatopatias que tenham atingido essa fase. Infelizmente, nem todos os doentes nessas condições podem ser submetidos a uma intervenção desse género.

Em alguns doentes uma idade avançada desaconselha a realização de uma intervenção tão severa já que muito outros órgãos, para além do fígado, não se encontram nas condições ideais. Noutros casos, a doença já evolui de tal modo que inviabiliza o transplante: assim acontece quando se desenvolveu um tumor hepático maligno na cirrose e ele atinge um certo volume.

Noutros casos o fígado, por vezes, deixa de funcionar de um momento para o outro em pessoas que até esse momento não sofriam de nenhuma doença hepática. Estas falências agudas representam uma emergência já que por vezes não são compatíveis com uma sobrevida superior a alguns dias.

Diga-se ainda que, em certos doentes, o fígado, que, no essencial, funciona bem, produz uma substância que se vai depositar nos nervos perturbando o seu funcionamento. Esta deposição precisa de cerca de vinte anos para provocar alterações perceptíveis pelos doentes.

Estes doentes são muito comuns em Portugal vivendo principalmente na zona da Povoa do Varzim e da Figueira da Foz. Se conseguirmos colocar nestes pacientes um órgão que não produza a substância citada a evolução da doença neurológica é bloqueada.

Saliente-se que o número de fígados disponíveis é sempre inferior às necessidades dos doentes citados. Os fígados são colhidos de indivíduos que deixaram de viver tornando-se contudo necessário que os dadores (embora neurologicamente mortos) sejam mantidos com uma perfusão sanguínea adequada e com a função respiratória mantida. Dizendo de outro modo, um qualquer de uma colisão nas estradas que sucumba nesse momento não está mais em condições de ser dador.

Os médicos são muitas vezes confrontados com a difícil decisão de decidir qual o destino que devem dar a um órgão que entretanto apareça. Não se discute que um doente com uma falência hepática aguda deva ter preferência em relação a todos os outros, mas, mesmo nestes casos, por vezes, se pergunta se ainda valerá a pena realizar a transplantação. Acontece que a evolução desta doença pode ser tão rápida que a transplantação pode já não trazer as melhorias desejadas.

Quando somos confrontados com doentes afectados por hepatopatias crónicas coloca-se a questão de saber se o fígado deverá ser oferecido a um doente que aguarde há muito tempo o seu aparecimento ou deverá ser oferecido a um doente mais grave que tenha menos tempo na lista de espera. Outras vezes fica-se na dúvida sobre qual será o doente com compromisso de maior gravidade ou seja com menos esperança de vida.

No caso das doenças em que aparece um compromisso do funcionamento nervoso, o quadro pode ter avançado de tal modo que não se justifique usar um fígado para manter vivo um doente que sofre de compromissos de múltiplos aparelhos e sistemas nos quais os nervos tenham sido afectados.

Prof. Dr. Luís Tomé
Presidente da Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado

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