DISPEPSIA FUNCIONAL ( Dispepsia sem úlcera ) - Médicos de Portugal

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DISPEPSIA FUNCIONAL ( Dispepsia sem úlcera )

26 Janeiro, 2007 0

Cerca de 20% dos adultos, no mundo ocidental, têm Dispepsia Funcional. A maior parte das pessoas com queixas do estômago, submetidas a endoscopia alta em regime ambulatório, não têm nenhuma alteração endoscópica que justifique as suas queixas, o que sugere a possibilidade de terem Dispepsia Funcional. Na Dispepsia Funcional tal como nas outras doenças funcionais não existe uma alteração estrutural ou bioquímica conhecida.

Os peritos reunidos em Roma, em 1990 e novamente em 1999, propuseram para a Dispepsia Funcional a seguinte definição: Dor e/ou desconforto ( sensação subjectiva não dolorosa que se caracteriza por peso epigástrico e/ou saciedade, e/ou enfartamento e/ou náuseas e/ou vómitos e/ou distensão ) persistente ou recorrente localizada na parte superior do abdómen, sem relação com os exercícios físicos, com duração mínima de 4 semanas e com sintomas ocorrendo em pelo menos 25% desse tempo. Como se vê, só muito recentemente, se chamou a atenção para a Dispepsia Funcional.

Os médicos de língua inglesa chamam à Dispepsia Funcional, Dispepsia-sem-Úlcera. A designação Dispepsia Funcional utilizada na Europa, pese embora o sentido dúbio da palavra funcional parece ser mais correcto. Também se utiliza a designação de Dispepsia Idiopática para realçar que a causa é desconhecida.

O Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa atribui à palavra funcional o seguinte sentido médico: “que afecta funções fisiológicas ou psicológicas mas não a estrutura orgânica.” “sem causa orgânica perceptível (diz-se de distúrbios funcionais)”.

Qual a causa ( ou causas ) da dispepsia funcional?

A causa (ou causas) da Dispepsia Funcional é desconhecida, mas sabemos que é frequente a partir dos 20 anos de idade, sobretudo no sexo feminino, atingindo mais de 20% da população do mundo ocidental. É uma doença crónica, recorrente. As queixas dispépticas podem ser contínuas mas geralmente são intermitentes e aparecem exclusivamente durante o dia. Durante a noite raramente incomodam.

Existe uma crença arreigada, que se encontra ainda em muitos livros, de que há uma relação directa entre factores psicossociais e a dispepsia funcional mas não existem estudos que o confirmem.

Embora se encontrem com frequência, factores que induzem o stress, precedendo os sintomas dispépticos, assim como ansiedade e depressão, os estudos efectuados, não têm mostrado diferenças significativas quando se comparam as pessoas com Dispepsia Funcional com a população em geral.

Discute-se se haverá alguma relação entre o Helicobacter pylori e a Dispepsia Funcional. A maior parte dos indivíduos com Dispepsia Funcional têm gastrite crónica causada pelo Helicobacter pylori mas, as queixas geralmente não desaparecem depois de se fazer a erradicação do H. pylori.

Quais as queixas do doente com dispepsia funcional?

Com frequência os sintomas da Dispepsia Funcional ( dor do estômago, desconforto, enfartamento, náuseas, vómitos, distensão ) estão associados aos sintomas do Síndrome do Intestino Irritável ( dor abdominal, obstipação / diarreia, distensão abdominal, flatulência, sensação de defecação incompleta ) o que leva muitos autores a considerar os dois síndromes como uma única entidade com provável etiologia e patogenia comum.

É também frequente a sobreposição das queixas da Dispepsia Funcional com as queixas da Doença do Refluxo Gastro-esofágico ( DRGE ) e, com a Úlcera do Duodeno e do Estômago.

Os sintomas dispépticos, muitas vezes continuam depois da cura da úlcera porque existe uma Dispepsia Funcional.

Como se faz o diagnóstico da Dispepsia Funcional?:

Nenhuma alteração é encontrada nos exames hematológicos, bioquímicos, endoscópicos ou de imagem ( ecografia, radiologia, TAC ) que o médico possa mandar executar. Na Dispepsia Funcional não existe nenhuma alteração, nem estrutural, nem bioquímica.

A endoscopia alta é o exame que o médico manda realizar com mais frequência, para excluir uma úlcera do estômago ou do duodeno e, nos indivíduos com mais de 45 anos para excluir também o cancro do estômago. Se achar necessário o médico manda executar uma ecografia abdominal ou outros exames, para excluir outra patologia: litíase da vesícula, pancreatite etc. etc.

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