Fitoterapia » Plantas, uma opção preventiva
A fitoterapia usa os princípios activos das plantas para tratamento de algumas doenças e, sobretudo, como meio de prevenção. Pode, ainda, ser um excelente coadjuvante da nutrição e dos fármacos tradicionais.
O ananás tem outras finalidades, para além de uma boa sobremesa. O talo contém uma substância – a bromeleína – utilizada em medicamentos anti-inflamatórios e para tratamento de certas formas de celulite.
O botão e as primeiras folhas dos ramos da planta do chá verde são muito utilizados para o emagrecimento, mas a sua acção é essencialmente diurética, não devendo ser utilizados indiscriminadamente.
Desde tempos idos que o homem desenvolve o conhecimento e a utilização das virtudes das plantas. Ao conhecimento das plantas e respectivas aplicações terapêuticas dá-se o nome de fitoterapia.
«É uma ciência que aplica os princípios activos de alimentos – aqueles que tradicionalmente não eram designados como nutrientes ou nutrimentos – e que podem ser utilizados sobretudo para prevenir e/ou controlar algumas doenças», diz o Dr. Sérgio Cunha Velho, nutricionista, referindo-se à fitoterapia.
Simplificando, trata-se de uma terapêutica em que se usam componentes naturais, sendo que os mesmos podem ser utilizados, essencialmente, como forma de prevenção.
Em termos de fármacos, a Medicina, no passado recente, foi buscar às plantas princípios activos que, posteriormente, foram isolados e concentrados. Actualmente, são também sintetizados. Por exemplo, a substância activa da Aspirina – ácido salicílico – derivou da casca do salgueiro.
«Para prevenir as complicações relacionadas com a menopausa são utilizados já com bastante frequência os fitoestrogénios de soja isolados ou em combinação com outros provenientes de outras leguminosas secas como uma alternativa à terapia hormonal de substituição (THS)», exemplifica Sérgio Cunha Velho, continuando:
«O estanol (derivado do fitoesterol) é utilizado para controlar e reduzir a absorção do colesterol e o cardo mariano (planta muito usada no Alentejo na confecção de alimentos) é excelente para doenças do fígado.»
Não há milagres para emagrecer
Como não poderia deixar de ser, em fitoterapia, também existem produtos para ajudar a combater o excesso de peso. Contudo, para este nutricionista, não há soluções milagrosas para perder os quilos indesejados.
«Alguns produtos, em especial os que surgem no mercado nesta altura do ano, são uma fraude e extremamente perigosos para a saúde. A maior parte tem apenas um efeito diurético, ou seja, quando as pessoas os tomam perdem peso rapidamente à custa de enormes perdas de água que sofrem.
É por isso que voltam a recuperar rapidamente o peso, ficam com a pele cheia de rugas e podem ter complicações muito graves em termos de saúde que, em situações extremas, podem levar à falência cardíaca e à morte», refere Sérgio Cunha Velho.
«Para ajudar a controlar o apetite, utilizo com bastante frequência uma fibra muito solúvel, chamada glucomanano. Deriva de um tubérculo e tem uma enorme capacidade de reter água, podendo aumentar entre 80 a 100 vezes o seu volume.
Deste modo, vai conferir uma sensação de maior saciedade e, dessa forma, pode ajudar a reduzir o apetite», acrescenta o nutricionista, que trabalha com fitoterapia há 10 anos e possui um mestrado nesta área, passado pela Faculdade de Medicina de Santiago de Compostela.
É importante salientar que emagrecer saudavelmente significa perder tecido adiposo (gordura) e não apenas ver os números descer ao consultar-se a balança.
«Tenho pacientes que aparecem na primeira consulta com 15 litros de água a menos em relação ao mínimo (o organismo humano deve ser constituído, pelo menos, por 50% de água).
Estas pessoas perderam rapidamente peso com dietas ou produtos “selvagens e perigosos”, no entanto, não perderam gordura absolutamente nenhuma», comenta Sérgio Cunha Velho, sublinhando:
«Sem força de vontade e sem que se modifiquem os maus hábitos que originaram e perpetuaram a obesidade, não existe nenhuma planta nem nada que faça com que se emagreça.»
Fitoterapia, nutrição e medicamentos tradicionais
No nosso País, já se começa a encarar a fitoterapia com algum respeito, uma vez que existem cada vez mais profissionais que a utilizam com conhecimentos científicos.
Mas Sérgio Cunha Velho alerta para o facto de «existirem muitas pessoas que trabalham nesta área sem terem a devida capacidade e conhecimentos».
«Com a fitoterapia não se pretende substituir nada nem ninguém. Trata-se de usar aquilo que a natureza nos deu de uma forma menos agressiva para tentar dar uma melhor saúde às populações, aliás, como é recomendado pela Organização Mundial da Saúde», afirma Sérgio Cunha Velho.
E continua: «Também é mais uma das áreas que se pode interligar com a nutrição, pois serve-se de componentes dos alimentos e plantas que, por sua vez, têm muitas funções importantes para o organismo.»
Mas ressalva que «um tratamento com a nutrição também pode ter contra-indicações ou interacções com os fármacos. É urgente e fundamental que estas áreas de intervenção sejam interditadas a quem não possui habilitações e conhecimentos para o fazer».
Ainda segundo o especialista, «a fitoterapia pode ser também um excelente coadjuvante de muitos tratamentos farmacológicos tradicionais. Mas, quando é mal utilizada, pode ter um efeito inverso e/ou adverso».
Os produtos da fitoterapia não são comparticipados, mas a sua utilização está a começar a ser regulamentada a nível da Comunidade Europeia. Além disso, é uma ciência leccionada em universidades de muitos países europeus.
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