Fibromialgia: Entrevista a Maria Elisa, “O meu corpo não reagia” - Médicos de Portugal

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Fibromialgia: Entrevista a Maria Elisa, “O meu corpo não reagia”

8 Novembro, 2007 0

“A fibromialgia é uma doença que não vem à cara”. É assim que Maria Elisa define a doença que lhe foi diagnosticada em Janeiro de 2001. Actualmente, é membro da Direcção da Myos, Associação Nacional Contra a Fibromialgia e Síndrome da Fadiga Crónica. Foi convidada do IX Fórum de Apoio ao Doente Reumático organizado pela Liga Portuguesa contra as Doenças Reumáticas. Por ocasião do evento, deu-nos o seu testemunho.

“Há dias de enorme sacrifício e não vale a pena dizer o contrário”

Gostaria que me desse o seu testemunho relativamente ao aparecimento da fibromialgia

ME – Comecei a sentir os sintomas característicos da doença em Janeiro de 2001. Vinha de um período de trabalho muito intenso porque estava a fazer dois programas na RTP, que representavam uma grande exigência física e intelectual. Tinha alterações profundas ao nível do sono mas pensava que se deviam ao excesso de trabalho.

As semanas iam passando e eu comecei a achar estranho porque o meu corpo não reagia de forma positiva. Entretanto, tive direito a férias e aproveitei para fazer coisas em casa para as quais nunca tinha tempo. Foi aí que percebi que era completamente incapaz. Começava a fazer qualquer coisa e parava ao fim de minutos.

Deitava-me imediatamente e passava muito tempo no sofá. Comecei também a sentir dores muito agudas, sobretudo numa anca. Tinha também essas dores na coluna, mas como já tinha sido operada a uma hérnia discal e já tinha indicação operatória para outra, minimizei os sintomas.

Depois de várias hipóteses terem sido descartadas em Portugal, fui vista por um internista do Hospital Curry Cabral. Depois de ver a enorme quantidade de exames a que me tinha submetido, foi-me diagnosticada a doença.

Alguns meses depois comecei a fazer uma terapêutica que mantenho até hoje e que é composta por alguns medicamentos que atenuam as dores e que ajudam a conciliar o sono. A sua eficácia é bastante aceitável.

Considera que existe algum preconceito à volta da doença?

ME – A fibromialgia é uma doença que não vem à cara. O estigma existe, não só por parte dos médicos e das suas equipas, mas também na família e nos empregadores.

Em todo o caso, tem sido muito positiva a evolução da atitude dos médicos em Portugal. Hoje em dia, estão atentos à sintomatologia, ouvem e respeitam as queixas dos doentes. Alguns pacientes afirmam que os médicos desvalorizam as suas queixas porque “é uma doença que está na moda”.

Para além da terapêutica, de que forma os doentes podem aumentar a sua qualidade de vida?

ME – O exercício físico é altamente aconselhável. A hidroginástica, à volta de 32, 33 graus é a terapia mais adequada, além da medicamentosa. Há doentes que melhoram com a prática de Tai-Chi ou yoga. É muito importante contrariar o cansaço natural que sentimos com alguma prática de exercício físico.

O doente deve procurar ter uma vida activa, do ponto de vista profissional e não se entregar à doença. É muito mais fácil dizer do que fazer. Eu própria tenho dias em que me sinto francamente mal e tenho muita dificuldade em me levantar e em assumir os compromissos que tinha agendado. Há dias de enorme sacrifício e não vale a pena dizer o contrário. Há dias piores e dias melhores. Há que viver o dia a dia, um após o outro.

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