Fibromialgia e Síndrome da FadigaCrónica: Viver cansado
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Este é um quadro que potencia perturbações do foro psíquico como alterações do humor, a ansiedade e a depressão. E que pode ser exacerbado por factores externos como alterações climatéricas, stress, ruído, excesso de esforço ou factores internos como variações hormonais.
As queixas ocilam de intensidade, podendo causar apenas um incómodo ligeiro ou, no extremo, condicionar a actividade profissional e as relações sociais e familiares.
Subjectivas mas reais
Este conjunto de sintomas torna a fibromialgia difícil de diagnosticar: a dor e o cansaço são sinais subjectivos, ainda que bastante reais para os doentes. Na ausência de testes clínicos que permitam chegar a uma conclusão, foram definidos critérios que permitem enquadrar a doença: são eles duração superior a três meses, dor generalizada a todo o corpo (no lado esquerdo e no direito, acima e abaixo da cintura e na coluna ou no tórax), dor à palpação em 11 de 18 pontos dolorosos e pelo menos dois de quatro sintomas (fadiga, alterações do sono, perturbações emocionais e dores de cabeça). O diagnóstico passa ainda pela exclusão de outras doenças com que a fibromialgia partilha sintomas.
Esta é uma doença crónica, o que significa que é “para sempre”. A maioria dos doentes evidencia sintomas ao longo da vida, ainda que possam alternar períodos de agravamento com períodos de atenuação, sendo as remissões (desaparecimento das queixas) raras.
Não se sabe o que causa esta síndrome, com os investigadores a apontarem para uma cadeia de factores que envolve a genética, o ambiente e até a personalidade. É aceite que acontecimentos isolados ou combinados, como uma doença grave ou um trauma emocional, podem desencadear a fibromialgia. Mas também está estudada a influência da hereditariedade, com os familiares de doentes a possuírem uma probabilidade maior de a desenvolverem e apresentarem uma sensibilidade dolorosa acrescida.
No que respeita à personalidade, foram identificados traços comuns a quase todos os doentes, nomeadamente o facto de serem trabalhadores muito empenhados, com actividade excessiva e um perfeccionismo compulsivo, com incapacidade para relaxar e para lidar com a raiva e a frustração, a par de tendência para negarem conflitos emocionais e interpessoais e para comportamentos de dependência e carência.
Tal como não existe um método de diagnóstico, também não existe um tratamento específico para a fibromialgia. As opções terapêuticas são feitas em função dos sintomas apresentados por cada doente e ajustadas ao logo do tempo por forma a melhorar a qualidade de vida.
São opções que envolvem medicamentos como os analgésicos, antidepressivos, ansiolíticos, inibidores de recaptação de serotonina, relaxantes musculares, entre outros.
Fadiga intensa
As mulheres entre os 20 e os 50 são a maioria dos doentes fibromiálgicos, estimando-se que a doença afecte entre dois a cinco por cento da população em idade adulta. As mulheres são também a grande maioria dos doentes com síndrome da fadiga crónica, numa proporção de três para cada homem. Considerada uma doença rara, calcula-se que afecte em Portugal cerca de 15 mil pessoas.

