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Evite o enfarte e o AVC » Artérias doentes » “Sobreviver não basta. É preciso viver!”

14 Dezembro, 2007 0

Estão a pedir-me umas palavras sobre o tema da doença coronária “14 de Fevereiro, dia nacional do doente coronário” e “dia da insuficiência cardíaca”.

A esse respeito gostaria de dizer que é muito importante haver um “dia da doença coronária”, para se explicar o que é, e para se recordar que a doença coronária faz parte de uma doença vascular generalizada que pode obstruir as artérias, e pode obstruir preferencialmente os vasos coronários, transformando uma doença silenciosa numa doença clínica.

Obviamente essa doença vascular atingiu outros vasos também, seja a grande aorta, sejam as artérias que vão para o cérebro, sejam os vasos que vão para os membros inferiores – é a aterosclerose!

Foi por isso muito ignorante aquele doente que tivemos no Instituto que dizia para a médica que o tinha mandado operar às coronárias (que lhe estavam a provocar dor anginosa) e ele dizia: pronto, agora já não me importo, já posso fumar e fazer a vida que gosto, já fui operado, não sinto nada, e já sei que se sentir vocês arranjam-me outra vez as artérias e vou-me embora de novo. Isto demonstra um desconhecimento total do que é o problema da aterosclerose: é uma doença de todo o sistema vascular, no seu lado arterial, e que pode causar um sem número de manifestações clínicas, seja a doença coronária, seja a doença vascular cerebral que também está lá mas ainda não provocou sintomas, mas podem aparecer pouco depois de um by-pass coronário e provocar um AVC.

“Pronto, agora já não me importo, já posso fumar e fazer a vida que gosto, já fui operado, não sinto nada, e já sei que se sentir vocês arranjam-me outra vez as artérias e vou-me embora de novo”, disse-me um dia um doente. Isto demonstra um desconhecimento total do que é o problema da aterosclerose.

O doente precisa de estar bem informado, para não se esquecer de seguidamente fazer a prevenção secundária e terciária da doença aterosclerótica, pois é candidato a ter novo enfarte do miocárdio ou um AVC: quem já teve enfarte ou trombose cerebral significa que tem as artérias doentes, tão doentes que uma delas obstruiu, e portanto é candidato a obstruir de novo outra artéria coronária, ou a trombosar outra artéria do cérebro.

E se a morte coronária é “limpa” isto é, pode nem causar dor, a pessoa pode morrer subitamente, ou ter um enfarte e morrer dias, meses ou anos depois, fazendo até lá vida normal.

A morte por AVC é muitas vezes deprimente, quando não mata logo, ou seja, se uma pessoa com um enfarte do miocárdio pode ter uma vida com actividade mais ou menos limitada, mas com um intelecto bom, uma pessoa com trombose cerebral, ficar muitas vezes com intelecto diminuído, com deficiências motoras ou da fala, e tudo isso é extremamente deprimente para o doente e para a família, e até para nós que o tratamos, independentemente de podermos conseguir pequenas melhorias, pequenas conquistas que poderão ir gradualmente ampliando as possibilidades motoras ou psíquicas da pessoa que sobreviveu.

Mas sobreviver não basta, é preciso viver, e um doente vascular cerebral, infelizmente, pode ficar grandemente diminuído e sem gosto algum pela vida que está a viver.

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