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Insuficiência cardíaca: o “fim da picada”
Passemos então à insuficiência cardíaca. O que é? É hoje posta mais em destaque porque estão a sobreviver mais doentes com insuficiência cardíaca. Há muitas mais soluções terapêuticas e os múltiplos estudos clínicos que têm sido feitos têm trazido cada vez melhores medicamentos, permitindo assim aos doentes em insuficiência cardíaca sobreviver, e com intelecto bom, ainda que com grandes limitações físicas: são sobrevivências cada vez maiores e com menor sofrimento.
Todavia não nos esqueçamos da afirmação tantas vezes repetida: a insuficiência cardíaca é uma doença “maligna” que leva à morte em menos anos que muitas doenças cancerosas. É uma doença grave, que tem agora mais possibilidades terapêuticas, podendo permitir um prolongamento maior da vida do doente com muito menos sintomas que antigamente.
Todavia, o que eu quero acentuar hoje, junto de vós todos, é que a insuficiência cardíaca “é o fim da picada”, quer dizer é o términus da grande maioria das doenças cardíacas.
Daí a importância de haver dias dedicados a estas doenças, para recordar a importância delas, para fazer sentir aos governantes a importância de ajudar à sua terapêutica polimedicamentosa e de mais apoios, assim como a importância dos cuidados domiciliários e até alimentares dos doentes que já não são auto-suficientes, etc.
Carro avariado vai para a garagem ou para a sucata e compra-se outro. Mas doente avariado enche os nossos hospitais, sofre “estupidamente” e vem a morrer precocemente de doenças perfeitamente evitáveis, quer por hipertensão, quer por hipercolestolémia, ou por hiperglicemia.
Os utentes ou clientes só nos procuram para uma primeira revisão aos quarenta ou cinquenta anos, enquanto que com o seu carro, aos dez ou vinte mil quilómetros, já fizeram revisões completas.
Carro avariado vai para a garagem ou para a sucata e compra-se outro, mas doente avariado enche os nossos hospitais, sofre “estupidamente” e vem a morrer precocemente de doenças perfeitamente evitáveis, quer por hipertensão (medir a tensão, controlo do peso, controlo do sal e até do álcool), quer por hipercolestolémia, ou por hiperglicémia, doenças silenciosas descobertas a tempo com simples análises de sangue e não só, grandemente evitáveis pelo estilo de vida e passíveis das mais eficazes terapêuticas (quando descobertas precocemente), quer o fumo do tabaco, de que todos, até nós médicos, temos informação total que preferimos ignorar e do qual se dizia num Congresso da Organização Mundial de Saúde em Madrid, há uma vintena de anos, “pare de fumar” é o conselho mais importante que um médico pode dar, em toda a sua vida, a um seu doente, e que maior influência poderá ter na duração da sua vida e na qualidade dessa vida!
Faça um check-up cardiovascular precoce
Portanto, meus queridos amigos, lutem pelo check-up cardiovascular precoce, defendam um mínimo de atitudes e comportamentos mais saudáveis no que respeita à alimentação, actividade física ou desporto (com novo check-up ao reiniciá-lo após anos de inércia), identifiquem a tríade, tabaco, álcool e droga (e depois sida) e defendam os exames pré matrimoniais para bem das crianças que vão nascer, aconselhando os futuros mãe e pai a evitarem o tabaco e o álcool desde antes da concepção! E, por fim, chamem à vossa consulta todos os familiares saudáveis (dos doentes que vos apareçam com doença coronária ou insuficiência cardíaca em idade precoce (com menos de 60 ou 65 anos, homens ou mulheres). E não esperem que vos agradeçam suficientemente… porque não sabem o que fazem!
Professor Fernando de Pádua
Presidente do Instituto Nacional de Cardiologia Preventiva

