Sol: Raios que envelhecem
É pelos 50, quando a elasticidade cutânea declina acentuadamente, que os efeitos da gravidade mais se notam: a ponta do nariz descai, as pálpebras também, as orelhas alongam-se, as bochechas evidenciam-se, o lábio superior tende a desaparecer e o inferior a ficar mais pronunciado.
Outras marcas que não as do tempo são as que registam, na pele, os nossos hábitos de dormir. Descansar o rosto sob a almofada durante várias horas consecutivas, numa mesma posição que se repete ano após ano, também abre a porta às rugas.
São linhas que ganham lugar cativo no rosto e que não desaparecem ao acordar – nas faces ou no queixo, quando se dorme de lado, na testa, quando se dorme de barriga para baixo e a cabeça enterrada na almofada.
Quem dorme de costas escapa a esta fatalidade, uma vez que o rosto não é pressionado. No rosto ficam igualmente assinaladas as nossas expressões faciais.
São movimentos repetitivos que obrigam a pele a assumir contornos específicos consoante a mensagem que transmitimos – quando a pele é jovem, regressa facilmente ao lugar, mas o mesmo não acontece quando começa a perder elasticidade.
Ficam, então, as chamadas rugas de expressão, por exemplo em torno dos olhos ou dos lábios. A idade da pele é ainda influenciada por factores comportamentais como o tabagismo. Fumar desencadeia reacções bioquímicas no nosso organismo que aceleram o envelhecimento.
Além das rugas e de uma textura menos suave, a pele ganha um tom amarelado que denuncia os fumadores.
Genes também contam
Estas são as causas extrínsecas do envelhecimento da pele. Mas é preciso contar também com a influência dos genes, responsáveis pelo chamado envelhecimento intrínseco, ou interno, da pele. Trata-se de um processo natural e contínuo que normalmente começa pelos 20 anos.
Por essa altura, a produção de colagénio abranda, as fibras de elastina vão perdendo firmeza, roubando elasticidade à pele. A renovação celular vai ficando mais lenta, com as células novas a demorarem mais a substituir as mortas.
Estas mudanças começam, efectivamente, quando se entra nos 20, mas os sinais do envelhecimento permanecem invisíveis por décadas. Sem darmos por isso, surgem as primeiras rugas, finíssimas, a pele fica mais transparente e menos espessa, vai-se perdendo alguma gordura subcutânea, o que é responsável pela perda de firmeza da pele do pescoço e das mãos e pelo aparecimento de pequenas bolsas sob os olhos.
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Além disso, com os anos, a pele fica mais seca, podendo causar comichão, e a quantidade de suor é menor, o que dificulta o arrefecimento da pele. O cabelo vai sendo pontuado por fios brancos e a renovação capilar diminui, o que pode abrir caminho a áreas de calvície. Em contrapartida, podem nascer pêlos noutras zonas do corpo, por exemplo no queixo.
São os genes que controlam este processo: por isso, ele não acontece ao mesmo ritmo para todos. Há quem tenha os primeiros cabelos brancos aos 20 e quem não tenha nenhum aos 40…

