Poder medicinal da água
Numa estância termal, os termalistas têm acesso à terapêutica, mas também a momentos de convívio, lazer e bem-estar. São aspectos fundamentais para o estado de saúde global. Em todas as idades – incluindo as mais avançadas, altura da vida em que o isolamento mais se poderá fazer sentir.
O conceito associado às termas mudou. É mais abrangente e está também ligado a áreas distintas, mas complementares. Actualmente, os complexos termais podem oferecer muito mais do que apenas os tratamentos, nomeadamente serviços de hotelaria, terapias de bem-estar e actividades de lazer. Proporcionam, ainda, interacção social. São, pois, utilizados tanto para efectuar tratamentos como na promoção da saúde. Todavia, o relaxamento não é o único motivo para procurar um programa termal. A reabilitação e o tratamento de doenças crónicas ou sazonais continuam a ser razões válidas. Muito válidas!
Como não poderia deixar de ser, para aceder a um tratamento termal é necessário ter uma prescrição médica. Afinal, somente um especialista sabe quais as melhores técnicas a aplicar numa determinada situação. A hidrologia médica é a área da medicina responsável pelas terapêuticas termais. O complexo termal de Monte Real, situado na região de Leiria, acolheu nos dias 10 e 11 de Junho o Congresso da Sociedade Portuguesa de Hidrologia Médica e Climatologia (SPHM). Neste evento estiveram reunidos aproximadamente 150 especialistas, entre médicos e técnicos de diversas áreas, para discutir a terapia de várias doenças nas termas portuguesas. Existem cerca de 60 estâncias termais, mas só aproximadamente 40 estão a funcionar, sendo que a maioria está localizada no Norte e Centro do país. Estima-se que cerca de 100 mil pessoas frequentem as termas portuguesas, por ano.
“Sempre houve tradição no uso das águas minerais naturais para finalidades terapêuticas”, afirma o Dr. Pedro Cantista, presidente da Sociedade Portuguesa de Hidrologia Médica e Climatologia. Fisiatra no Hospital de Santo António, no Porto, é também director clínico das Termas de S. Jorge, Santa Maria da Feira, e dedica-se à hidrologia médica há 30 anos. “Quando havia menos medicamentos, as águas assumiam um relevo especial e eram extremamente úteis. Antes o conhecimento era empírico, mas depois passou a ser científico”, acrescenta, a propósito do imemorial uso da água para fins medicinais nas populações, a nível mundial.
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Termalismo e população idosa
As indicações terapêuticas, associadas aos diferentes tipos de águas, são determinadas pela Direcção-Geral da Saúde (DGS). “Um tratamento efectuado com uma água indiferenciada denomina-se hidroterapia. Se for usada água do mar, toma a designação de talassoterapia, e se for utilizada água mineral natural dá-se o nome de crenoterapia”, explica o presidente da SPHM, sublinhando a importância de factores terapêuticos do termalismo, designadamente “físicos, químicos, biológicos, sociais e psicológicos”.
Tal como as águas utilizadas, também as técnicas são escolhidas consoante a doença a tratar. A hidropinia (ingestão de água mineral natural sob prescrição médica), as inalações, as irrigações, os aerossóis, os banhos de imersão, os duches são algumas das técnicas mais comuns. No que diz respeito às doenças, a lista é extensa, desde patologias músculo-esqueléticas (osteoartrose, artropatias inflamatórias em fase não aguda, gota úrica, osteoporose, reabilitação de fracturas, de cirurgias ou sequelas ortopédicas), doenças respiratórias, patologias da pele, aparelho digestivo, doenças metabólicas, distúrbios neurológicos, doenças psíquicas. A frequência dos tratamentos depende da patologia e do próprio indivíduo. “Se a pessoa sofrer de uma doença respiratória, rinite, por exemplo, é muitas vezes aconselhável fazer tratamentos termais duas vezes por ano, nomeadamente no início da Primavera e Outono”, exemplifica Pedro Cantista.

