Mudar de vida - Página 2 de 5 - Médicos de Portugal

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Prevenir primeiro

Em muitos casos, as pessoas não se livram de fazer prevenção com medicamentos. “Começa a fazer-se cada vez mais e mais cedo”, explica Carlos Aguiar, mas isto é só em quando há factores de risco assinaláveis. “O caminho passa em primeiro lugar pelas medidas não farmacológicas e pela correcção do estilo de vida, depois vai sobrar um conjunto de pessoas para as quais o risco cardiovascular vai continuar a ser alto”, aclara. “Conseguimos mudar a alimentação, o sedentarismo, a obesidade, mas não conseguimos alterar a história familiar ou uma doença genética que cause valores altos de colesterol logo à nascença”, enaltece. Mas reforça: “As medidas de estilo de vida têm de estar à frente de tudo”.

O primeiro passo da mudança de vida é, portanto, seu. No caso de o risco permanecer elevado e precisar de medicação, consciencialize-se de que será para o resto da vida. Nos seniores, que normalmente já tomam medicação para outras patologias, aumenta o risco de esquecimento da toma, recorda o secretário-geral da SPC. “A falta de um comprimido pode levar a internamento por descompensação das suas múltiplas doenças”, avisa. “Por outro lado, com tantos medicamentos há mais efeitos secundários”, sublinha. Carlos Aguiar defende que o “trabalho de perto com o médico de família é fundamental, já que é preciso monitorizar se a medicação está a ser correctamente administrada”. “Há pessoas mais velhas completamente isoladas”, recorda.

Todos podem ajudar

Se chegou até aqui na leitura, não é tempo de se deprimir. Porque a verdade é que muito destes problemas só existem porque vivemos em média mais oito anos. O que “se deve em muito aos avanços da medicina cardiovascular”, defende o cardiologista. Que no entanto, avisa: “a guerra no terminou”. “O que conseguimos de resultados fantásticos nos últimos anos ou décadas em melhoria da esperança média de vida, ainda não conseguimos na diminuição daquela que é ainda a primeira causa de morte no Mundo e em Portugal”, afirmou.

O médico está confiante, contudo, de que se está no bom caminho e fala em boas novas a vários níveis. No que toca à prevenção, salienta uma campanha que foi desencadeada pela Federação Mundial do Coração, para alertar os políticos de todo o Mundo, sobretudo os que têm responsabilidades na área da saúde, para colocar a questão no topo das prioridades.

Quanto aos tratamentos também há novidades. “Estão a aparecer formas mais seguras de tratar os mais velhos, já que muitas das intervenções foram pensadas para pessoas jovens e que não têm tanto risco de complicações”, explica. E acrescenta: “Está-se a trabalhar em medicamentos mais seguros, a avaliar novos mecanismos de diagnóstico não invasivo, nomeadamente um exame que permite detectar a doença coronária que antes só seria possível com um cateterismo”. Carlos Aguiar assegura que a medicina está a fazer a sua parte e com resultados. Mas para vencer a guerra é preciso que cada um se torne soldado desta batalha. Aliste-se, por si e pelos seus.

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