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Exercício físico intenso e regular contra o stresse oxidativo

1 Abril, 2010 0

O exercício físico tem sido considerado como um importante veículo de promoção de saúde. De facto, nos dias de hoje, o exercício físico é, não só, um importante factor de prevenção de uma série de doenças, como sejam as doenças cardiovasculares e a diabetes, como também um importante agente coadjuvante da terapêutica de um conjunto significativo de patologias, de que é exemplo a obesidade.

Curiosamente, de forma aparentemente paradoxal, a prática de exercício físico tem sido, igualmente, associada à produção acrescida de radicais livres (RL) no nosso organismo.

Radicais livres são moléculas produzidas no nosso organismo de forma fisiológica ou não fisiológica que apresentam elevada reactividade bioquímica. Assim sendo, quando produzidos em excesso, podem interagir e provocar danos importantes em diferentes macromoléculas celulares, como sejam lípidos, proteínas e ADN que, em última análise, podem resultar na disfunção ou perda de viabilidade celular.

De facto, apesar da sua fulcral importância para o organismo, por exemplo enquanto sinalizadores de tarefas indispensáveis à célula e moléculas intervenientes na protecção imunológica, são inúmeros os estudos que têm evidenciado a associação da produção excessiva de RL com a causa ou agravamento de um conjunto significativo de patologias, de que são exemplo as cataratas, a doença de Parkinson, a aterosclerose e alguns tumores.

 

Prática de exercício físico e stresse oxidativo

Face ao acréscimo da produção de RL induzido pelo exercício físico e à, eventual, incapacidade do organismo em os neutralizar, o organismo poderá experimentar uma condição aguda de stress oxidativo acrescido. Isto é, uma situação momentânea de agravamento significativo no desequilíbrio entre a produção de RL e a capacidade neutralizadora do nosso sistema antioxidante, ou seja, do conjunto de moléculas e compostos celulares que visam anular ou, pelo menos, diminuir a reactividade dos RL, reduzindo, assim, o seu impacto fisiológico nefasto. Importa referir que, mesmo em condições basais e fisiológicas, o nosso organismo “vive” uma situação permanente de stress oxidativo.

De facto, em qualquer circunstância da nossa vida, as nossas células têm uma taxa de
produção de RL que, embora controlada, é mais elevada do que a capacidade neutralizadora do sistema antioxidante. Os imperceptíveis danos celulares decorrentes desta produção excessiva de RL “dão voz” à associação que alguns investigadores estabelecem entre o fenómeno de envelhecimento e uma condição crónica de stress oxidativo moderado ao longo da nossa vida.

Relativamente ao exercício físico, existe um consenso generalizado quanto à existência de diferentes “fontes” de RL no nosso organismo. Porém, o exponencial incremento do consumo de oxigénio parece ser o factor mais preponderante para o acréscimo da produção de RL durante o exercício. Por esta razão, os RL são, vulgarmente, conhecidos como radicais livres de oxigénio. Neste contexto, a generalidade dos praticantes de exercício físico e os atletas, em particular, confrontam-se com um aparente paradoxo. Ou seja, apesar de todos os benefícios conhecidos, a prática de exercício físico constitui-se, efectivamente, como um factor indutor da produção acrescida de RL.

Contudo, não obstante este acréscimo, estudos no âmbito da bioquímica do exercício têm sugerido que os praticantes de exercício regular e intenso, como por exemplo os atletas, se apresentam numa situação privilegiada face ao acréscimo da produção de RL, decorrente da prática de exercício físico, relativamente aos praticantes de exercício não regular e aos sedentários.

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