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Exercício físico intenso e regular contra o stresse oxidativo

1 Abril, 2010 0

 

Os benefícios da prática regular de exercício físico

Com efeito, tem sido demonstrado que, por adaptação fisiológica crónica decorrente dessa prática de exercício físico regular, parece existir uma diminuição da produção de RL e evidentes melhorias da capacidade antioxidante. Desta feita, aqueles que se exercitam regularmente, não só produzem menos RL como também estão melhor preparados para os neutralizar, diminuindo as condições celulares de stress oxidativo. Este facto, a par das virtudes antioxidantes de uma alimentação cuidada e adequada, justifica que, regra geral, para a grande maioria dos praticantes de exercício físico regular a suplementação de antioxidantes não seja imprescindível. Adicionalmente, a melhoria da capacidade antioxidante parece ser uma mais valia contra as, eventuais, condições exacerbadas de stress oxidativo que possam ser despoletadas no organismo por situações fisiopatológicas.

Assim sendo, no que diz respeito à relação entre o exercício físico e o stress oxidativo, o conselho só pode ser um: PRATIQUE EXERCÍCIO FÍSICO INTENSO DE FORMA REGULAR E SISTEMÁTICA

José Magalhães | Gabinete de Biologia do Desporto, Faculdade de Desporto, Universidade do Porto

Curiosamente, de forma aparentemente paradoxal, a prática de exercício físico tem sido, igualmente, associada à produção acrescida de radicais livres (RL) no nosso organismo.

Radicais livres são moléculas produzidas no nosso organismo de forma fisiológica ou não fisiológica que apresentam elevada reactividade bioquímica. Assim sendo, quando produzidos em excesso, podem interagir e provocar danos importantes em diferentes macromoléculas celulares, como sejam lípidos, proteínas e ADN que, em última análise, podem resultar na disfunção ou perda de viabilidade celular.

De facto, apesar da sua fulcral importância para o organismo, por exemplo enquanto sinalizadores de tarefas indispensáveis à célula e moléculas intervenientes na protecção imunológica, são inúmeros os estudos que têm evidenciado a associação da produção excessiva de RL com a causa ou agravamento de um conjunto significativo de patologias, de que são exemplo as cataratas, a doença de Parkinson, a aterosclerose e alguns tumores.

 

Prática de exercício físico e stresse oxidativo

Face ao acréscimo da produção de RL induzido pelo exercício físico e à, eventual, incapacidade do organismo em os neutralizar, o organismo poderá experimentar uma condição aguda de stress oxidativo acrescido. Isto é, uma situação momentânea de agravamento significativo no desequilíbrio entre a produção de RL e a capacidade neutralizadora do nosso sistema antioxidante, ou seja, do conjunto de moléculas e compostos celulares que visam anular ou, pelo menos, diminuir a reactividade dos RL, reduzindo, assim, o seu impacto fisiológico nefasto. Importa referir que, mesmo em condições basais e fisiológicas, o nosso organismo “vive” uma situação permanente de stress oxidativo.

De facto, em qualquer circunstância da nossa vida, as nossas células têm uma taxa de
produção de RL que, embora controlada, é mais elevada do que a capacidade neutralizadora do sistema antioxidante. Os imperceptíveis danos celulares decorrentes desta produção excessiva de RL “dão voz” à associação que alguns investigadores estabelecem entre o fenómeno de envelhecimento e uma condição crónica de stress oxidativo moderado ao longo da nossa vida.

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