Calcula-se que as dores de cabeça estejam entre os 10 ou 20 principais motivos de consulta em medicina familiar. A enxaqueca é a sua forma mais grave e afecta cerca de um milhão de portugueses. Trata-se com medicamentos e repouso, no escuro e em silêncio.
Chamamos-lhe dor de cabeça, mas o seu nome verdadeiro é cefaleia. As mais frequentes são do tipo primário: ou seja, constituem uma doença em si mesma, não sendo espelho de qualquer outro problema de saúde – são as enxaquecas ou as dores que resultam de situações de tensão.
Mas há também as cefaleias secundárias e estas sim, embora mais raras, indiciam a existência de problemas noutros órgãos do corpo: traumatismos ou doenças do sistema nervoso. Porém, ao contrário de alguns receios, não há nada que faça suspeitar que uma dor de cabeça possa, por si só, ser sinal de um tumor cerebral.
Cansaço e posições incorrectas dos músculos do pescoço e ombros estão na origem da mais frequente das cefaleias – a cefaleia de tensão. É uma dor ligeira a moderada, descrita como uma moinha na região frontal ou na nuca.
Pode durar horas ou mesmo dias, acompanhada de intolerância ao barulho.
Bem mais rara é a chamada cefaleia em salva, que se localiza junto ao olho. Descrita como uma dor violenta, acompanhada de lacrimejo, pupila pequena e olho vermelho. Manifesta-se sobretudo nos homens jovens e no final do dia, com mais frequência na Primavera e no Outono. Uma crise pode durar entre meia hora a duas horas, mas depois a dor pode desaparecer por alguns meses ou anos.
Cabeça a latejar
As enxaquecas são a versão mais forte de uma dor de cabeça. É como se o coração se tivesse transferido para a cabeça, pulsando e latejando de uma forma (quase) insuportável. Qualquer esforço, qualquer movimento faz com que a cabeça pareça explodir.
O barulho e a luz agravam o quadro, pelo que uma pessoa que sofre de enxaquecas só pensa em refugiar-se no escuro e no silêncio.
As mulheres são as preferidas deste tipo de cefaleia, que se estima afectar cerca de 10 por cento dos cidadãos dos países ocidentais.
É entre os 20 e os 40 anos que as enxaquecas costumam manifestar-se com mais frequência, embora possam ocorrer na infância e na adolescência. De tão fortes que são estas dores de cabeça felizmente não deflagram todos os dias, mas surgem com alguma regularidade e nalguns casos são bastante frequentes.
Há, porém, excepções à regra: quando os excessos de medicamentos transformam uma enxaqueca periódica numa cefaleia de todos os dias.
Náuseas e vómitos são companheiros assíduos destas dores, aumentando um mal-estar que se prolonga por horas mas pode durar até três dias consecutivos.
Stress, jejum, exercício, menstruação, alteração dos hábitos de sono são vários dos factores identificados como estando na origem das enxaquecas, mas a verdade é que a maioria das pessoas não consegue explicar o que desencadeia a dor.
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Esta é uma doença sem cura, mas com tratamento. Há base de medicamentos e de alguns comportamentos, um dos quais tentar elaborar um calendário que permita definir a periodicidade das enxaquecas e assim controlar os factores a elas associados.
Aliviar a dor é o primeiro passo, o que pode ser feito com medicamentos, sendo os analgésicos simples considerados eficazes. Depois de tomá-los, o melhor é deitar-se num local sossegado, no escuro e em silêncio. E dormir, se possível.
As enxaquecas afectam os indivíduos na sua idade mais produtiva, mas é desvalorizada e apenas um em cada dez doentes procura o médico. Tanto as enxaquecas como as demais cefaleias estão relacionadas com um elevado consumo de cuidados de saúde, nomeadamente consultas e medicamentos. A frequência e severidade dos sintomas são perturbadoras da actividade diária, com consequências a nível da produtividade e da qualidade de vida. Não existem, todavia, dados que permitam quantificar o impacto destas dores, que, afinal, são muito mais do que uma dor de cabeça.
Coisas de adultos?
As crianças também sofrem com dores de cabeça e esta é uma das queixas mais frequentemente ouvidas nas consultas de pediatria.
Por norma, na origem das dores de cabeça infantis estão as emoções. A maior parte dos episódios parece surgir depois de alguma discussão ou problema com as pessoas com as quais as crianças mantêm relações afectivas. De facto, as alterações ao equilíbrio emocional das crianças têm responsabilidades no desencadear das dores de cabeça, o mesmo acontecendo, por exemplo, com as dificuldades escolares ou incapacidade para ultrapassar determinadas situações.
A ansiedade tem igualmente uma palavra a dizer neste processo. E o sono também. Ou melhor, a falta de sono e horários irregulares de descanso deixam as crianças vulneráveis.
O importante é respeitar as horas de sono adequadas a cada idade, um rigor que deve ser estendido à alimentação, pois existem indícios de que uma alimentação desregrada pode resultar em dores de cabeça. O mesmo acontece quando os mais pequenos passam longos períodos sem se alimentar, sendo recomendável que façam seis refeições por dia.
Investigação Portuguesa
Investigadores da Universidade do Porto identificaram variantes genéticas responsáveis por um risco aumentado de enxaqueca – gene ST X1A – publicado em Abril de 2010. Este gene é responsável pela produção de proteína que regula a libertação de neurotransmissores no sistema nervoso central.
Chamamos-lhe dor de cabeça, mas o seu nome verdadeiro é cefaleia. As mais frequentes são do tipo primário: ou seja, constituem uma doença em si mesma, não sendo espelho de qualquer outro problema de saúde – são as enxaquecas ou as dores que resultam de situações de tensão.
Mas há também as cefaleias secundárias e estas sim, embora mais raras, indiciam a existência de problemas noutros órgãos do corpo: traumatismos ou doenças do sistema nervoso. Porém, ao contrário de alguns receios, não há nada que faça suspeitar que uma dor de cabeça possa, por si só, ser sinal de um tumor cerebral.
Cansaço e posições incorrectas dos músculos do pescoço e ombros estão na origem da mais frequente das cefaleias – a cefaleia de tensão. É uma dor ligeira a moderada, descrita como uma moinha na região frontal ou na nuca.
Pode durar horas ou mesmo dias, acompanhada de intolerância ao barulho.
Bem mais rara é a chamada cefaleia em salva, que se localiza junto ao olho. Descrita como uma dor violenta, acompanhada de lacrimejo, pupila pequena e olho vermelho. Manifesta-se sobretudo nos homens jovens e no final do dia, com mais frequência na Primavera e no Outono. Uma crise pode durar entre meia hora a duas horas, mas depois a dor pode desaparecer por alguns meses ou anos.
Cabeça a latejar
As enxaquecas são a versão mais forte de uma dor de cabeça. É como se o coração se tivesse transferido para a cabeça, pulsando e latejando de uma forma (quase) insuportável. Qualquer esforço, qualquer movimento faz com que a cabeça pareça explodir.
O barulho e a luz agravam o quadro, pelo que uma pessoa que sofre de enxaquecas só pensa em refugiar-se no escuro e no silêncio.
As mulheres são as preferidas deste tipo de cefaleia, que se estima afectar cerca de 10 por cento dos cidadãos dos países ocidentais.
É entre os 20 e os 40 anos que as enxaquecas costumam manifestar-se com mais frequência, embora possam ocorrer na infância e na adolescência. De tão fortes que são estas dores de cabeça felizmente não deflagram todos os dias, mas surgem com alguma regularidade e nalguns casos são bastante frequentes.
Há, porém, excepções à regra: quando os excessos de medicamentos transformam uma enxaqueca periódica numa cefaleia de todos os dias.
Náuseas e vómitos são companheiros assíduos destas dores, aumentando um mal-estar que se prolonga por horas mas pode durar até três dias consecutivos.
Stress, jejum, exercício, menstruação, alteração dos hábitos de sono são vários dos factores identificados como estando na origem das enxaquecas, mas a verdade é que a maioria das pessoas não consegue explicar o que desencadeia a dor.
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Esta é uma doença sem cura, mas com tratamento. Há base de medicamentos e de alguns comportamentos, um dos quais tentar elaborar um calendário que permita definir a periodicidade das enxaquecas e assim controlar os factores a elas associados.
Aliviar a dor é o primeiro passo, o que pode ser feito com medicamentos, sendo os analgésicos simples considerados eficazes. Depois de tomá-los, o melhor é deitar-se num local sossegado, no escuro e em silêncio. E dormir, se possível.
As enxaquecas afectam os indivíduos na sua idade mais produtiva, mas é desvalorizada e apenas um em cada dez doentes procura o médico. Tanto as enxaquecas como as demais cefaleias estão relacionadas com um elevado consumo de cuidados de saúde, nomeadamente consultas e medicamentos. A frequência e severidade dos sintomas são perturbadoras da actividade diária, com consequências a nível da produtividade e da qualidade de vida. Não existem, todavia, dados que permitam quantificar o impacto destas dores, que, afinal, são muito mais do que uma dor de cabeça.
Coisas de adultos?
As crianças também sofrem com dores de cabeça e esta é uma das queixas mais frequentemente ouvidas nas consultas de pediatria.
Por norma, na origem das dores de cabeça infantis estão as emoções. A maior parte dos episódios parece surgir depois de alguma discussão ou problema com as pessoas com as quais as crianças mantêm relações afectivas. De facto, as alterações ao equilíbrio emocional das crianças têm responsabilidades no desencadear das dores de cabeça, o mesmo acontecendo, por exemplo, com as dificuldades escolares ou incapacidade para ultrapassar determinadas situações.
A ansiedade tem igualmente uma palavra a dizer neste processo. E o sono também. Ou melhor, a falta de sono e horários irregulares de descanso deixam as crianças vulneráveis.
O importante é respeitar as horas de sono adequadas a cada idade, um rigor que deve ser estendido à alimentação, pois existem indícios de que uma alimentação desregrada pode resultar em dores de cabeça. O mesmo acontece quando os mais pequenos passam longos períodos sem se alimentar, sendo recomendável que façam seis refeições por dia.
Investigação Portuguesa
Investigadores da Universidade do Porto identificaram variantes genéticas responsáveis por um risco aumentado de enxaqueca – gene ST X1A – publicado em Abril de 2010. Este gene é responsável pela produção de proteína que regula a libertação de neurotransmissores no sistema nervoso central.