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“Dói-me a cabeça!”

29 Abril, 2010 0

São dores que podem durar algumas horas ou arrastar-se por dias e são, com frequência, recorrentes. Muitos doentes apresentam sintomas paralelos como náuseas e alterações na visão. Antes da dor propriamente dita, a enxaqueca pode ser anunciada por uma “aura“, um conjunto de sintomas visuais que incluem visão embaciada ou com manchas, por exemplo.

Existem, pois, enxaquecas com e sem aura.

Mais raras mas igualmente intensas são as cefaleias em salvas. Ao contrário das demais, manifestam-se sobretudo nos homens: a dor declara-se subitamente e localiza-se, em regra, atrás ou em redor de um dos olhos, associada a outros sintomas como lacrimejo, congestão nasal ou rinorreia (pingo no nariz). Cada episódio pode durar de 15 minutos a três horas e surgir até oito vezes por dia.

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Tratar é eficaz, prevenir é melhor

A esmagadora maioria das dores de cabeça está relacionada com situações de tensão, sendo felizmente poucas as cefaleias com uma causa subjacente grave. Há, todavia, situações que impõem uma consulta médica imediata e às quais importa estar atento – assim acontece quando, além da dor de cabeça, se manifesta pelo menos um dos seguintes sintomas: febre elevada, rigidez do pescoço, perda de visão, tonturas, convulsões, astenia muscular. Ou se a cefaleia se arrastar por vários dias, se resistir aos medicamentos ou piorar acentuadamente com o tempo.

Excepções à parte, as cefaleias configuram um quadro clínico ligeiro, passível até de ser ultrapassado sem necessidade de tratamento farmacológico. Mudanças no estilo de vida e uma melhor gestão do stress podem ser suficientes para as espaçar ou até eliminar.

Em qualquer dos casos, e porque dores de cabeça há muitas, é conveniente manter um registo diário de cada episódio: nele deve ser anotada a localização da dor, intensidade, duração, altura do dia em que surge e eventuais sintomas associados. Estes dados revelar-se-ão preciosos na altura de fazer o diagnóstico e indicar uma terapêutica.

Na primeira linha dos medicamentos utilizados no tratamento das cefaleias estão os analgésicos – afinal, são medicamentos direccionados precisamente para o alívio da dor. E são o recurso mais comum quando se trata de uma dor ligeira a moderada, quer na cefaleia de tensão, quer na enxaqueca.

Já para a dor severa, na enxaqueca, pode ser necessário recorrer a medicamentos mais específicos, como ergotamina e os triptanos. Na prevenção usam-se entre outros os beta-bloqueantes e antidepressivos.

Na cefaleia em salvas o tratamento da crise é com oxigenoterapia e triptanos. Na sua prevenção a ergotamina e o verapamil são fármacos de primeira escolha.
Em regra, os analgésicos proporcionam um alívio rápido da dor de cabeça, o que pode induzir um consumo excessivo.

Contudo, tomar estes medicamentos muitas vezes e durante muito tempo pode ser contraproducente: pode dar origem às chamadas cefaleias de exacerbação, caso em que a dor surge assim que o efeito do último comprimido começa a desaparecer, obrigando a uma nova toma.

Importa, pois, usar de moderação no que toca aos analgésicos, devendo ser usados nas crises e fazendo tratamentos preventivo adequado. Há cefaleias em que introduzindo algumas alterações no estilo de vida se contribui para a sua prevenção. Como?

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