“Dói-me a cabeça!”
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Queixas de palmo e meio
As dores de cabeça não são um exclusivo dos adultos. As crianças também se queixam, sobretudo as que estão em idade escolar. E nelas, tal como nos mais crescidos, são dores que se apresentam de múltiplas formas.
Na origem das dores infantis estão, com frequência, acidentes: uma queda, por exemplo, é o suficiente para causar trauma, devendo os pais estar atentos à duração da dor e à presença de outros sintomas como vómitos – neste caso, importa ir ao médico.
Há ainda que contar com doenças como a gripe, otite e sinusite em que a dor de cabeça é um sintoma. Também mudanças de temperatura, luzes, ruídos e odores muito intensos podem ter a mesma consequência.
Outro factor de peso é a alimentação: a cafeína, existente em refrigerantes e chocolates, também pode fazer doer a cabeça, o mesmo acontecendo com aditivos presentes em alimentos de que os miúdos gostam, como as salsichas.
Não menos importantes são os factores emocionais: problemas na escola, a pressão dos pares, as expectativas dos pais podem fazer disparar a ansiedade, que acaba por se traduzir em dores de cabeça.
Até porque as crianças nem sempre conseguem falar do que as perturba. É igualmente possível que a tendência para estas dores passe de pais para filhos: é a influência dos genes. No que toca às crianças, podem ser considerados de forma simples dois tipos principais de dores de cabeça: as de tensão e as enxaquecas. As do primeiro tipo são muito comuns e costumam andar associadas a perturbações emocionais, manifestando-se através de uma pressão constante nos músculos da cabeça e do pescoço. Quanto às enxaquecas, calcula-se que afectem entre cinco a dez por cento das crianças em idade escolar, aumentando nas raparigas quando atingem a puberdade. Além da dor propriamente dita, causam náuseas e vómitos e uma extrema sensibilidade à luz e ao som, podendo durar apenas 30 minutos ou prolongar-se por várias horas ou até dias.
Se estas dores persistirem ou se reaparecerem com regularidade, o melhor é consultar um médico que fará o despiste de eventuais doenças, embora na maior parte das vezes as dores de cabeça infantis não escondam uma condição clínica mais severa.
Ainda assim importa estar atento a sintomas como diminuição do estado de alerta, tonturas, alterações na visão, fraqueza, dificuldade em andar ou estar de pé, rigidez muscular ou febre. E se as dores surgirem logo ao acordar ou se forem elas a acordar a criança importa também procurar ajuda médica.
Cuidados com analgésicos
Quando uma criança se queixa de dores de cabeça o primeiro passo é proporcionar-lhe alívio. O descanso é fundamental, devendo criar-se um ambiente tranquilo e na penumbra, aplicando-se sobre a testa compressas húmidas. Se estes cuidados não forem suficientes, pode ser necessário recorrer aos medicamentos: é essa a função dos analgésicos.
Todavia, nem todos são indicados para as crianças, pelo que o aconselhamento farmacêutico é fundamental para fazer a escolha correcta. A aspirina, por exemplo, é desaconselhada a crianças, excepto sob expressa prescrição médica.

