Deformidades da face – Tratamento
Esta cirurgia apresenta muitos riscos?
Os riscos são os inerentes a toda a grande cirurgia executada sob anestesia geral. A especificidade da intervenção cirúrgica não aumenta o risco. Normalmente, os riscos diminuem quanto maior for a experiência dos médicos das equipas cirúrgicas.
A minha cara vai ficar diferente?
O trabalho da equipa médica consiste em utilizar todos os meios ao seu alcance para conseguir as modificações fisionómicas programadas e expectáveis. Para quem não está envolvido no tratamento é evidente que o que mais impressiona são a alterações faciais passíveis de atingir. Isto acontece nos doentes com défices estéticos marcados.
Toda a cirurgia será executada por via intra-oral. Não haverá cicatrizes cutâneas. As suturas serão reabsorvíveis.
E depois da cirurgia, vou padecer muito?
Tendo em conta a experiência da equipa e salvo alguma situação excepcional, logo após a cirurgia o doente é acordado e transita para uma “sala de recobro” onde beneficiará de cuidados especializados. Não estará entubado. A mandíbula estará livre para mover-se. Poderá falar ou alimentar-se após algumas horas. O edema facial será moderado e a medicação será administrada por via intravenosa. Esta medicação terá em vista controlar o edema, prevenir dores e infecções, e o reposicionamento hidroelectrolítico.
Sendo esta a evolução que normalmente registamos nas nossas cirurgias, há sempre que ressalvar casos especiais decorrentes da reacção do organismo e a sensibilidade que cada doente pode ter à dor ou ao edema.
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Vou demorar a recuperar?
Na generalidade dos casos, após a alta hospitalar poderá alimentar-se convenientemente, recorrendo a uma dieta líquida durante dois dias ( use preparados hipercalóricos e hiperproteicos) e mole (o que desejar) até ao fim da segunda semana, altura em habitualmente que já deverão ter sido reabsorvidos os pontos de sutura.
Em condições normais poderá voltar à actividade profissional em 10 dias.
Vou ver situações semelhantes à minha?
É essencial, para que se estabeleça uma relação de confiança entre o doente e a equipa que o vai tratar, que aquele tenha acesso a situações previamente tratadas e que possa contactar com outros doentes cuja situação clínica possa assemelhar-se à sua. A Clínica facilita e estimula este convívio.
Texto:
Dr. Matos da Fonseca, médico, cirurgião maxilo-facial e director da Clínica da Face
Tendo em vista uma informação objectiva da população, e em particular dos candidatos a tratamento de deformidades da face, elaborámos este texto que relata as dúvidas que habitualmente os doentes ou seus familiares apresentam e as respectivas respostas baseadas nossa experiência clínica.
O que é uma deformidade maxilofacial?
É uma anomalia da posição do esqueleto ósseo maxilar e/ou mandibular, relativamente ao crânio, que tem como consequência um envolvimento negativo na oclusão dentária e/ou na estética facial.
À anomalia posicional podem associar-se alterações da forma e do tamanho dos maxilares. A existência de uma deficiência no crescimento da face nem sempre implica uma anomalia aparente.
As anomalias mais frequentes são: no sentido antero-posterior, a mandíbula numa posição avançada ou muito recuada em relação ao maxilar. No sentido vertical, a impossibilidade de fazer contactar os dentes anteriores (mordida aberta) ou uma exposição dentária e gengival excessiva (sorriso gengival) ou a existência de mordida profunda – os dentes incisivos colocados mais à frente impedem a visualização dos que estão atrás. No sentido transversal, as assimetrias. À deformidade maxilofacial poderão associar-se outras anomalias sendo as mais frequentes as que afectam o nariz e as orelhas, que serão corrigidas simultaneamente.

