Congestão nasal: Para além do “nariz entupido”
Descongestionar para aliviar
Para aliviar o incómodo causado pela dificuldade em respirar é, pois, necessário descongestionar o nariz ou tornar as secreções mais fluídas para que seja mais fácil a sua expulsão. Para tal existem alguns cuidados que podem ser adoptados em casa e, em algumas situações, poderá justificar-se a toma de medicamentos, mas sempre com o aconselhamento de um profissional de saúde.
Entre o auto-cuidado e a medicação
Existem alguns cuidados simples que ajudam a aliviar a congestão nasal e que poderão evitar o recurso a medicamentos:
• Assoar o nariz regularmente, mas sem esforço excessivo, estimula a descida do muco
• Inalar vapor de água, no mínimo por dez minutos, contribui para fluidificar as secreções, facilitando a sua remoção. A aplicação de uma solução salina, genericamente conhecida como “água do mar”, é também um óptimo contributo para o alívio dos sintomas de congestão nasal
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• Ingerir muitos líquidos como água, chá e sopa, excluindo bebidas com cafeína pois tendem a secar a mucosa nasal, agravando a congestão
• Dormir com a cabeça ligeiramente elevada em relação ao resto do corpo, uma vez que a congestão tende a piorar na posição horizontal
Apesar de estas medidas serem sempre aplicáveis, poderá ser necessário recorrer a medicamentos.
Existem dois grandes grupos de fármacos aplicáveis nestas situações: os descongestionantes, que actuam na diminuição da dilatação dos vasos sanguíneos, com consequências positivas no que respeita à diminuição da obstrução e melhoria do processo respiratório; e os anti-histamínicos, usados no alívio da congestão nasal de origem alérgica contribuindo para facilitar a respiração.
Em relação aos descongestionantes, estão disponíveis em diferentes apresentações: Gotas – Após uma limpeza adequada das narinas, o doente deve colocar-se ligeiramente inclinado para trás, aplicar as gotas e rodar a cabeça lentamente para ambos os lados, de modo a que a solução se espalhe pela mucosa nasal.
Spray – O doente deve manter a cabeça direita e inspirar ao mesmo tempo que aplica o medicamento. O aplicador deve ser retirado da narina antes de aliviar a pressão sobre o dispositivo, de modo a evitar a sua contaminação com secreções.
Estes cuidados são, em geral, suficientes para se obter alívio sintomático.
No entanto, se a congestão nasal se prolongar por mais de duas semanas e for acompanhada de inchaço da fronte, em redor dos olhos ou da face, visão turva, tosse por mais d e dez dias, ou muco acinzentado ou amarelo- esverdeado, o mais indicado será consultar o seu médico.
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Sabia que…
Alguns anti-histamínicos podem causar sonolência, devendo ser tomados preferencialmente à noite, antes de deitar.
O uso prolongado de descongestionantes de acção local pode agravar os sintomas de congestão nasal. Tanto os descongestionantes de acção local como os sistémicos são contra-indicado sem doentes com glaucoma e devem ser usados com especial precaução em doentes com problemas cardíacos, hipertensão, diabetes mellitus e hiperplasia benigna da próstata.
Bebés e crianças
Nos bebés, a congestão nasal pode interferir com o acto de mamar, ou, quando tal já não se aplica, com a alimentação. Os bebés devem, por isso, merecer cuidados particulares. Um deles passa pela utilização de um aspirador nasal para limpar as secreções, uma vez que os bebés e crianças muito pequenas não sabem assoar-se. Se, ainda assim, não for fácil a sua remoção, poderá ser usada uma solução salina, que permite fluidificar as secreções facilitando a sua remoção e a desobstrução das vias respiratórias. No caso dos bebés com menos de dois meses, se a congestão nasal for acompanhada de febre, deve ser procurada ajuda médica.

