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Cabelos por um fio, cabelos em risco

14 Dezembro, 2008 0

Há tratamento?

Para o especialista, antes de se optar por um tratamento, é preciso distinguir entre os produtos testados cientificamente e aqueles que “propagandeiam as falsas promessas” de fazer crescer cabelo. “Estão disponíveis, no mercado, medicamentos comprovados no tratamento da alopecia androgénica e difusa. Para além de fármacos, hoje em dia também é possível recorrer-se ao transplante capilar que resolve, com brilhantismo, as situações mais graves de alopecia androgénica”, refere o especialista.

Os fármacos existentes “podem ter uma actividade do ponto de vista hormonal, impedindo a transformação da testosterona em hidro-testosterona”. Segundo o especialista, “estes são os tratamentos mais ‘inteligentes”, porque actuam na base fisiopatológica da queda”. Paralelamente, estão, ainda, acessíveis outros produtos que “estimulam a produção de cabelo”. O especialista fala, concretamente, de fórmulas derivadas de menoxidil, dos anti-androgénios e dos medicamentos que estimulam o crescimento do cabelo.

 

Como funciona o transplante capilar?

Este foi um método descoberto por Norman Orentreich, em 1984, e, ao longo dos anos, tem vindo a ser aperfeiçoado. “Hoje em dia, os resultados estéticos são muito promissores. A cirurgia da calvície já atingiu um grau de perfeição notável e com efeitos duradouros”, adianta António Picoto.

Para devolver o cabelo a zonas “despovoadas”, em que a queda foi mais acelerada, uma das soluções passa pela implementação de técnicas cirúrgicas. “O processo de auto-transplante é simples: retira-se uma porção de couro cabeludo da área occipital, por meio de cirurgia, e depois faz-se uma sutura para não haver uma falha de cabelo naquela zona”. Em seguida, fazem-se “enxertos de cabelo de uma área em que não há tantos receptores de androgénios e onde se sabe que, com o evoluir dos anos, o cabelo permanece em crescimento”.

 

Estratégias para não perder cabelo

O especialista diz que, “a partir do momento em que se inicia o processo de calvície androgénica, se deve iniciar uma terapêutica”. Acontece que, para manter os efeitos do tratamento, “é necessário seguir a medicação ao longo de toda a vida”. Em fase de manutenção, “é possível administrar a medicação mês sim, mês não”.

 

Mitos e verdades

Lavagem diária do cabelo prejudica o cabelo?
De acordo com António Picoto, as lavagens frequentes não representam nenhum risco para o cabelo, desde que sejam efectuadas com “champôs suaves”. Estão a ser comercializados, já há alguns anos, “champôs com fórmulas que não irritam o couro cabeludo”. O especialista ressalva, porém, que não se deve lavar o cabelo mais do que uma vez por dia.

Deve-se mudar de champô para não cansar o cabelo?
Para o especialista, estas ideias baseiam-se em argumentos “de tipo comercial”, já que não nenhum suporte científico que prove a existência de habituação ao champô.

Quantos cabelos se pode perder diariamente?
É aceite que até 100 cabelos por dia não há risco de calvície, a não ser que não haja repovoamento. “A dinâmica perda/reconstituição tem de funcionar, porque o cabelo tem ciclos fisiológicos: quando um fio cai, está outro em crescimento2, aponta o especialista.
Quando se perde um número superior a uma centena de cabelos, por norma, “já existe um processo patológico em funcionamento”. Mas, se por um lado, importa saber que quantidade se perde, também convém estar atento ao aspecto do cabelo. “Esta é uma informação que ajuda a traçar melhor o diagnóstico”.

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